MUTANTE

MUTANTE
Eram três horas da madrugada quando ele apareceu. Eram um lobisomem, um espírito mutante que se apossou de um corpo humano.
Foi muito difícil capturar este ser, pois ele vive no mundo da escuridão, nos becos, atrás de paredes se tornando quase invisível. Só sabemos que ele está perto pelo uivo dos cães.
Eu tive ajuda para trazer ele para fora do seu habitat. Foi uma luta ferrenha, mas sem machucar este mutante.
Ao trazê-lo para a claridade ele queria morder, queria se soltar, mas graças a Deus foi diferente. Ao ver está pobre alma a sua cabeça tinha aparência de um morcego. Era negro e eu não vi seus olhos que se fecharam pela claridade.
Ao conversar com este espírito em total desespero para se soltar eu fui desfazendo o mal entendido. Ao falar a palavra sal ele se aquietou. Somente assim parou para me ouvir.
Fizemos um acordo de cavalheiros. Ele não mexia comigo ou com minha família e eu o deixaria livre para ir embora ou poderíamos ser amigos. Minha família são todos que me rodeiam, que me fazem bem.
Um espírito mutante é a coisa mais triste que existe neste mundo. Ele é humano em grande parte desta vida terrestre, porém ele se transforma quando está em conflito ou convulsão consigo mesmo.
Eu vi quem era quando ele abriu seus olhos.
_ É você!
Esta descoberta modificou o contato. Foi algo diferente do ponto de vista do conhecimento espiritual.
Homem ou lobisomem.
O mais difícil de crer que ele estava envolto como se fosse no colete de jaguar. Ou era jaguar ou estava possuindo um jaguar.
Não pude esclarecer esta relação temporal, esta anormalidade.
Ao trazê-lo para a luz do evangelho eu fiz um acordo com este ser. O acordo era dele vir buscar sal. Ele aceitou e já, mais calmo, passou a raciocinar. Sua feição deixou de ser como um animal irracional.
Soltamos. Ele foi se embrenhando na escuridão.
Neste episódio eu vi como um espírito mutante se transforma. De dia é homem e a noite lobisomem.
Poderia ser licantropia, um elítrio acrisolado no físico. O que mudou foi a experiência de convencer, doutrinar, conscientizar.
Geralmente este tipo de mutação ocorre em certas luas. A força atuante revela um estágio sofredor.
É como uma grande descarga que recai sobre um médium mal desenvolvido ou que nunca desenvolveu. É uma força telúrica que envolve um poder da natureza.
Quando a mediunidade não é lapidada ela se condensa no espírito.
Um médium apará não sofre esta mutação porque ele passou pela transformação do elo vital. A modificação do seu DNA espiritual. Claro que tudo depende de sua cultura. Não falo de cultura terrena, mas da cultura espiritual.
Muitos desenvolvem suas mediunidades para mostrar suas medalhas. É como um soldado que é convocado para a guerra e ganha medalhas pela morte dos seus semelhantes. Porém no amanhecer é diferente, suas medalhas são para mostrar suas classificações pelo salvamento de vidas.
Lá são pelas mortes, aqui são pelas vidas, como no quadrante.
Nós somos remanescentes de muitas vidas. Temos linha direta com as civilizações que marcaram territórios. Éramos inimigos e agora deveríamos ser amigos. O Jaguar ainda não acordou para este joguete das ilusões. Ele continua sendo cego pelo orgulho de sua posição. Quanto mais conhecedor, mais ignorante se torna de querer tudo para si. É como invejar seu irmão, seu amigo que lutou tanto para alcançar sua glória.
Eu pergunto: você daria sua vida pela do seu irmão? Morreria na cruz? Aceitaria as ofensas, as pedras e o chicote?
Só um grande homem aceitou a sua dor como prova de redenção.
Será que nós somos os lobisomens que se perderam por não saber amar.
Os espíritos estão uivando no etérico plano.
E você já fez a sua caridade esta madrugada?
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
19.06.2026

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