CRISE DE 64
Diziam os antigos, foi muito difícil passar pela porta aberta, pois ela se fechou em cima do povo brasileiro.
Nesta viagem ao passado eu me senti exausto pois revivi esta crise quando tinha 7 anos. O Brasil viveu a escuridão social dos conflitos pela sobrevivência.
Eu não sei o motivo de ter voltado no tempo, mas observando estes períodos de transição vejo que há similaridade com o atual.
Eu procurei conhecer o que me trouxe até aqui, onde tudo era comercializado pela troca de mercadorias. Os lavradores plantavam diferentes produtos e não havia muita moeda em circulação e mesmo assim venceram a triste insatisfação.
Entrei em uma pequena indústria e muitos jovens estavam trabalhando para ajudar suas famílias a sobreviverem. Não existia idade mínima ou máxima, existia necessidade.
O Brasil é uma escola para quem necessita de um rumo para despertar sua profissão.
Eu vejo hoje os jovens presos às leis da terra que retirou seus direitos à evolução material. Sem nada para oferecer são vítimas da sociedade criminal.
São sonhos irrealizados que induzem ao crime.
Naquele tempo as lembranças foram clareando onde eu ouvia meus pais e tios comentarem sobre a política. Tinham que cortar um palito de fósforo ao meio para usar. Inflação altíssima.
Já naquele tempo eram comerciantes ativos com moinhos para beneficiar arroz, ferro velho, oficina mecânica, marcenaria e veículos de transporte.
O velho Estefano era um excelente marceneiro. Naquela casa quem chegasse não ficava sem se alimentar.
O mundo girou, o índio criou, ninguém disse nada.
Existe uma relação entre 64 e agora com esta época. É como um corredor que se liga pela memória espiritual. Estamos revivendo este período para aprender a sobreviver. Espíritos inconformados pelo antigo governo já começam a se manifestar nos círculos espirituais. Jango. Sim, jaguares, o que era impossível está se tornando possível. Eu vi nele a expressão do medo, de tudo voltar ao período da incubação.
Eu aqui não posso fazer ou mudar este compromisso dos velhos tempos. Somente Deus com sua bondade pode alterar o destino da terra.
Jango quer pagar pelos seus erros. Quer mudar a sua história. General Olímpio Mourão Filho também em espírito com seu exército pronto para entrar em cena.
Está havendo ou vai haver um combate contra um destino negro que se levanta no horizonte.
Ao buscar a minha história, eu assisti outra situação, a revolução política do Brasil. No campo espiritual tudo fica registrado na memória dos espíritos. Eles não conseguem tirar de suas mentes o fracasso. As vitórias são comemoradas pela satisfação do momento.
Um espírito que fracassou na sua vida terrena se torna obsessor de sua própria imprudência.
A relação tempo e espaço é algo surreal. Nós temos um campo vibracional que avança no limiar das reencarnações. Ontem fomos João e hoje somos José, porém os compromissos são os mesmos na eterna balança. Nada muda se não mudarmos.
As reencarnações diversas são como escolas para mudar o caminho. Nosso passado está preso ao nosso presente ou o nosso presente está preso ao nosso passado. Somente o futuro nos dirá quem somos.
É por este motivo que eu viajo para muitos lugares. Tudo em busca de conhecimento e não reconhecimento.
Existe um despertar no coração do homem moderno que vive a sua insatisfação. Sua luta é algo multiplicador para renovar sua fé.
Não se deixem esmorecer pelas ligações do passado com o futuro. Estamos revivendo um período de 1964 muito difícil. Povo unido jamais será vencido.
É a nova era. Como me disse Pai João de Aruanda: a nova era será muito difícil pela sua transição. Acertos e desacertos farão com que os homens repensem suas vidas.
Eu desamarrei minhas pernas.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
20.06.2026
