PAJEZINHOS
São tantas coisas que acontecem no mesmo momento que nós perdemos o fio da meada. Ao contar esta passagem eu fui novamente deitar minha cabeça em berço esplêndido. Era tanta gente aqui no templo, muitos jaguares em espírito trabalhando. Eu estava buscando a razão dos atendimentos e fui até em casa para me arrumar, vestir meu velho uniforme de jaguar.
Uma vez tia disse ao Lacerda, lá vai um verdadeiro jaguar. Eu não escutei, porém depois fiquei sabendo. Nós já caminhamos neste mundo a vários milênios e em cada uma das reencarnações deixamos nossos registros. Ser jaguar é ter a sabediria dos mundos. Não tão somente terra, mas conhecedor do céu nos mundos ascensionados.
Ao chegar aqui na minha casa muitos pajezinhos de branquinho com colete e fita de doutrinadores estavam saindo de mãos dadas. Eram muitos em fila indiana, mas sempre de mãos dadas. Titio Guga e tia Elo, na frente para levá-los ao templo. Eu fiquei olhando a grandezas destes pequeninos que se preparam para a continuidade da missão.
Ninfa Rafa estava aqui em casa se arrumando para descer e buscar no canto das ciganas Taganas a força libertadora deste povo de Deus. Os espíritos foram chamados pelo pai para nesta jornada serem os portadores da verdade cristica.
Não sei descrever quantos chegaram aqui para desempenhar o papel de doutrinadores. Mesmo os aparas eram doutrinadores. Tudo porque apará é somente em terra, no espiritual não tem como espírito incorporar espírito. São mensageiros da voz direta.
Estava faltando 15 minutos para a sirene tocar e eu em meio caminho para me arrumar. A sirene do templo atravessa o neutrôm para anunciar aos mundos o início, meio e fim dos trabalhos. Cada toque abre um despertar do céu sobre a terra. Assim como o som de um alto falante através do microfone abre os contatos entre nós e os mensageiros.
Eu tive muito trabalho. Chegou até um casal estrangeiro para passar pelo templo. Eles sentaram perto do radar e ficaram observando a movimentação.
Como eu sempre digo: a caridade não tem fronteiras.
Se nós juramos servir a este sacerdócio não custa nada ter conhecimento da verdade. Agora não fiquem discutindo quem é quem. Uma medalha não compacita seu herói. Tem que meter a mão na massa e sentir cada coração que é diferente um do outro.
Exemplo. Meu karma não é o mesmo de vocês. Também não é o mesmo de outra encarnação. Cada encarnação se criou uma dívida, agora, sim, elas são cobradas na individualidade. Dizemos de 90 a 90 dias uma roupagem se apresenta com seus karmas atualizados. Um jaguar tem que conhecer seus passos nesta terra para valorizar seu espírito no céu.
O que eu faço é abrir minha viseira karmica e lançar mão do conhecimento espiritual para amortecer as minhas dívidas. Só assim eu consigo equilibrar meus três reinos.
Não há descanso para os trabalhadores da última hora. Quando estamos em missão nossas mentes estão pacificadas na caridade.
Olhamos para os menos esclarecidos com amor e respeito. Não é ser bruto, mas ser maleável para poder entender os desabafos que estão sufocados pela ignorância humana.
Aprendo muito com estas viagens. Queria tanto que todos pudessem se recordar de suas aventuras, mas vamos dar tempo ao tempo para que a vaidade não crie barreiras entre o povo de Seta Branca. Se já com algumas medalhas se comportam como adversários imaginem ter este conhecimento científico espiritual. Não serão mais pescadores de almas, serão escravizadores de sentimentos.
Ser ou não ser.
A grande luta pela compreensão da nossa própria vida.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
05.05.2025