REVOADA
Incrível o que acontece no mundo invisível.
Eu estava deslocado do físico e sentado na minha varanda quando de repente ouvi um barulho como se fosse pássaro em revoada. Eram muitos espíritos passando por cima das casas. Foram bater nas matas atrás do vestiário. Ao pousarem eles faziam tanto barulho que pareciam estar em festa.
Eram muitos. As árvores ficaram tomadas por esta multidão. Naquele momento eu me recordei da passagem de Jesus quando frente a frente com a falange de sofredores ele agiu dentro de sua autoridade. O espírito se identificou como multidão: somos muitos.
Não que o que aconteceu aqui tenha sentido nesta passagem, porém esta visão me chamou atenção.
Eu não tinha certeza de quem eram. Eu não fui lá para saber. Fiquei de longe vendo a algazarra que faziam.
Eles pulavam de galho em galho. Pareciam como macacos pela destreza em se movimentar pelas árvores.
Não eram vozes, eram grunhidos estridentes chegando a doer a minha sensibilidade.
De repente tudo se acalmou. Eles silenciaram mas não voaram.
Daqui eu olhei para a estrela em frente ao templo e reli a mensagem do pai Seta Branca. Vocês lembram da mensagem: “Filhos, o homem que tentar fugir de sua meta kármica ou juras transcendentais será devorado ou se perderá como um pássaro que tenta voar na escuridão da noite”. Seria isso?
Ainda estou me esclarecendo deste fato. Não me chegou nenhuma resposta do mundo espiritual.
Nem tudo tem respostas. As coisas acontecem como na terra, são fatos isolados.
Muitas vezes na terra acontecem encontros e desencontros inesperados. Só vai saber quando estiver acontecendo.
Eu tenho fechado meus olhos para não iludir os caminheiros de Jesus. São imagens que estão impregnadas no destino. Muitas vezes uma pessoa reclama de suas necessidades esquecendo de abrir seu coração para Deus. Ao ver em sua aura ele tem tantas coisas boas para receber e não sabe pedir. Não é somente pedir, mas é trabalhar para merecer.
Então peça com amor dentro da sua caridade.
Eu levantei e fui para mais perto. Ali no pátio do templo eu observava aqueles seres e me perguntava: de onde vieram, porque estão aqui e para onde vão?
Não fugiram. Enroscados nos galhos pareciam se alimentar das folhas ou da seiva.
Acho que no templo não teríamos condições de atender tantos espíritos.
Como eles estavam quietos, eu virei minhas costas e voltei para minha casa. Deixei todos ali. Acho que vão dar um pouco de trabalho para a tribo de Caiapós que vivem nestas matas. O fogo se acendeu dentro das matas. Os cânticos dos índios começaram suas invocações. Cacique Caiapó já assumiu seu comando. Reuniu seu povo para esta finalidade.
As matas agora respondiam no poder da natureza. Foi algo surpreendente ver que eles se preocupam com nossas missões.
Ainda sem ver o sol eu desci até o vestiário. Estava calmo, nada mais estava acontecendo.
A fogueira se apagou e todos se recolheram.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
20.05.2026
REVOADA
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