TRISTEZA SEM FIM
Aconteceu e isso me deixou muito triste.
Neste grande pavilhão nos mundos encantados houve uma reunião que atravessou a escuridão mental. Eu me reencontrei com tia Neiva e com muitos jaguares desencarnados. Guilherme, Mario, Nestor, Batista, Alencar e outros mais. Eles riam de suas encarnações na terra, porém Neiva estava solitária. Ela ficou afastada deles e muito pensativa.
Eu cheguei naquele momento e fui fazer companhia para ela.
Nós, jaguares, mesmo não tendo a consciência aberta, nos desligamos da nossa matéria e vamos ter com os mundos de Deus. Mesmo não se recordando, ainda prestam caridade.
Enquanto eles conversavam alegremente, eu me sentei em frente a tia.
_ A senhora não vai se servir?
_ Não! Estou muito preocupada com a minha missão!
Baixou sua cabeça olhando para a terra.
Tem certas coisas que os jaguares não entendem e só vão compreender quando partirem para o outro lado da moeda.
Eu faço muitas comparações com o mestre: Jesus pediu para ver uma moeda usada no imposto e perguntou de quem era a imagem impressa nela. Responderam que era de César. Ele então respondeu: “Deem a César o que pertence a César, e a Deus o que pertence a Deus”.
Nós só estamos nesta missão, nós não somos donos dela.
Eu sofri por ver o sofrimento dela enquanto os demais conversavam sem olhar para trás.
Nós podemos estar na terra e no céu, basta crer.
Vejam bem.
Eu estou encarnado, mas o meu eu está no mundo dos espíritos. Um espírito desencarnado não tem permissão de reencarnar a não ser quando tem uma missão. Quando ele jura.
Tia deixou um gatilho na terra para poder voltar. Algo que não terminou.
21 anos se passaram para poder reencarnar. Foi a mesma contagem das falanges missionárias. Dezoito ou dezenove anos na terra cultivando a sabedoria do espírito consolador.
Pai Seta Branca sabe de sua filha e está com muito amor e respeito cultivando seu coração.
Ela vira em outra roupagem, outro caminho e talvez em outra missão. Muitas vezes tia reclamava que estava descontente e dizia: se continuarem como está eu vou embora daqui.
Era para chamar na responsabilidade seu povo. Ela fez assim quando na Serra do Ouro largou tudo e todos, pegou seu povo e foi embora sem olhar para trás. Muitos ficaram e só com o tempo acordaram que ela era o caminho e a verdade. Tudo girava em seu entorno.
1985 tia mudou da terra para o seu mundo, o mundo do jaguar. Seta Branca a acolheu e a deixou livre para sua escolha.
Esta madrugada eu vi seu espírito transportado da terra muito triste. Sua mente ainda está adormecida pela reencarnação. Eu sei e entendo como é difícil saber o paradeiro e não poder abrir o verbo. Tudo está sendo feito com pleno conhecimento espiritual.
Eu olhava para aqueles jaguares que sorriam sem olhar para trás. Até parecia que ela não era mãe espiritual deles.
Eu não sei se a estavam vendo ou se faziam pouco caso.
Eu fui buscar um saboroso manjar e coloquei à sua frente. Ela adorava cáqui quando na terra. Este manjar era igual ao cáqui.
Mesmo assim ela refutou. Eu me preocupei.
Não havia jeito de melhorar este momento. De vez em quando ela olhava para aqueles que tanto ensinara e as lágrimas desciam pelos olhos.
_ Meu filho! Eu não quero nada agora! Sei de sua honestidade com sua missão, mas o momento é como a crucificação de Jesus!
Ao falar assim, houve um silêncio total. Foi como se uma corrente de energia atingisse o local e todos ficaram paralisados. Parecia um grande vácuo e os movimentos ficaram distorcidos.
Naquela enorme mesa, somente ela estava sentada. Não havia lugar para os demais.
Nós geramos correntes significativas que alimentam nossos olhos e muitas delas são esparsas. Tudo que vemos está se moldando conforme a nossa necessidade.
Nós, da terra, não sabemos por onde anda nossos pensamentos.
Ao ligar os dois planos pelas viagens eu abro uma linha direta mental.
A energia que falta lá é a que sobra aqui. Não que isso seja corriqueiro, pois tudo depende do plano atingido. Sete planos, sete estágios.
As nossas origens estão acima do canal vermelho, nas mansões etéricas. Famílias inteiras aguardando seus filhos e filhas voltarem. O ciclo fechou para os velhos imperadores. Estes tiveram merecimento para liderar um determinado povo e se endividaram muito.
Nós, jaguares, viemos com o mesmo propósito, liderar. Eu fico pensando, como um cego vai guiar outro cego.
Baseados em uma liturgia que não lhe pertence!
Jesus foi um grande líder que sabia da necessidade daquele povo e curava as pessoas para elas acreditarem nele. Não precisou se empoderar, se dizer que ele era Deus, mas sempre dizendo ser filho.
“Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”.
O sofrimento deste espírito atravessou meu espírito. Foi como uma adaga enferrujada enfiada no meu coração.
De repente ela sumiu dali. Ninguém percebeu. Eu queria chamar na razão, mas entendo que cada um tem aquilo que merece.
É por isso que os espíritos estão se atrasando. Perderam o contato e estão perdendo a fé.
A contagem regressiva está na ampulheta e ela já foi virada.
Eu não sei se estarei por aqui quando as estrelas começarem a vibrar. Será feita a chamada e este grande exército passará pela revista.
Como disse Seta Branca: “eu vou terminar esta missão nem que seja com somente um espírito que tenha se evoluído”.
Esta correria desenfreada dos jaguares tem varado as noites sem fim. Cada qual receberá o seu cantil, mas a água deverá ser apanhada individualmente na fonte da vida eterna.
Voltei. Voltei meio contrariado com esta viagem. Vim colocar um pouco de lenha na fogueira. Muita festa e pouco trabalho.
Estão novamente adorando outro Deus.
Dionísio, o Deus baco!
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
22.05.2026
TRISTEZA SEM FIM
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