E A VIDA CONTINUA…
O ano virou, mas nada mudou na esperança de ressuscitar o velho amor. Este amor é tão antigo que já deveria ter sido largado pelos caminhos. São caminhos tortuosos impregnados de manifestações diretas e indiretas pela fé em abrir as portas do futuro. Fé, sim, o amor é a fé de que tudo vai dar certo.
Eu fui trabalhar. Enquanto a terra festejava o céu escutava esta onda de pedidos e explosões sentimentais. A cada pedido a prosperidade material estava inclusa.
Como o missionário não tem tempo de deitar em berço esplêndido ele se levanta e vai pra luta.
Eu fui até minha família raiz. Fui chamado e ao chegar o trabalho de recartilhamento teve início. Não vou abrir o livro sagrado dos registros para não causar supremacia racial. Vou somente registrar esta passagem para ensinar como são os destinos dos espíritos.
Eu tive que mudar no silencioso mundo dos surdos e mudos o karma berrante. Os humanos não escutam mais nem seus pedidos. Suas almas enfraquecidas e tristes já se acostumaram a viver sem a paixão do contato com a natureza. Só esperam o grande final acontecer para seguirem as estradas marcadas pelos encontros e desencontros.
A mulher me pediu perdão, o homem insistia em relação do que ela fez. Não se pode mudar o destino de quem não se ama.
Nesta mesa as cartas foram abertas. Eu diria, na despedida do ano um novo sempre começa sorrateiramente trazendo aspirações.
_ Eu vou mudar, eu vou me mudar!
Mudar no sentido espiritual de pagar pelos erros cometidos nesta e em outras vidas.
Eu fui o dealer desta mesa. Porém minha missão era desembaralhar o destino. Era abrir o baralho e entregar as cartas viradas. As cartas da vida que carregamos pelo caminho.
A mulher recebeu suas cinco cartas e o homem também. Eu vi medo nos olhos, porque a expressão da verdade estava exposta, mas fechada pela imposição do eu.
Não tiveram coragem de virar as cartas. Um olhava para o outro esperando o primeiro passo. Eu fiquei observando as atitudes de cada um deles. Na terra são encarnados bloqueados, mas aqui a verdade é uma cobrança pesada. O espírito sabe das consequências de suas atitudes e por onde andou. Na terra tudo tem data de validade, no espiritual não há prerrogativas como alterar o vencimento. Seria como mil anos em um.
Dei as cartas e esperei pacientemente que este jogo da vida tivesse começo. Não teve. Embaralhei novamente e guardei as cartas no cofrinho dos desejos. Um dia espero que tenham coragem de abrir estas cartas.
A mesa foi fechada, mas eles não conseguiam se mexer. Ficaram presos a mesa redonda da vida eterna. Eu tive que voltar. Não faço parte deste jogo do destino. Como disse, eu fui somente o dealer deste mundo invisível.
Quando chamam o espírito vai. Não chamem quem não conhecem. Vocês não conhecem nem a si mesmos. Muitas vezes nem eu me conheço, mas reconheço a minha missão. Na terra sou um simples encarnado, mas no espiritual eu movo montanhas pela fé.
Acreditar no possível te abre as portas do impossível. Como aqui, nesta viagem ao conhecido mundo dos surdos, mudos e cegos.
A cegueira karmica seria como maldição humana, mas é uma meta evolutiva. Antes você faz os seus projetos para depois executar. As falhas são relativas a falta de fé em compreender a necessidade de alterar um risco, um ponto ou uma vírgula. Agora já temos um caminho claro pela reciprocidade dos mundos ascensionados. Não somos almas a vaguear na escuridão dos pensamentos. Tudo foi aberto, nossas cartas estão sendo jogadas. E o mais importante, sem medo de perder.
Tenho aprendido muito nestas obras do espírito. Construir um mundo dinâmico sobre as rochas dos sonhos.
A realidade é a verdade.
Ao sair pela porta do astral eu vejo que temos tantas coisas a aprender que tudo ou nada pode mudar. Se teu coração está amarrado teu espírito está preso. Tua vida não tem sentido. Vive por viver.
Neste amanhecer eu vejo a renovação dos espíritos acrisolados na matéria. É algo espantoso. Algo além das reencarnações.
Enquanto isso se eles não se abriram as correntes não se quebraram dos tornozelos. Difícil mudar o que não quer ser mudado.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
01.01.2025