TRAUMA ESPIRITUAL

TRAUMA ESPIRITUAL
A Jovem agonizava no seu leito de dor.
Daqui de onde eu estava dava para ouvir o choro de lamento. Foi só seguir o murmúrio deste espírito.
Chegando no destino encontrei uma jovem menina entrevada emocionalmente. A única doença que tinha foi adquirida na separação dos pais.
Esta separação mexeu com sua parte emocional que ultrapassou a camada de proteção, atingindo seu coração.
_ Papai, papai!
_ Não, eu não sou teu pai, eu vim te ajudar!
As separações deixam marcas nos filhos que se não tiver assistência de alguém pode até alterar o sistema biológico. Como foi desta jovem que sofre deste trauma.
Sentei na cabeceira de sua cama. A vontade dela era morrer eternamente porque acreditava que seus pais nunca se separariam. O grande desafio é ser mãe e ser pai.
Conversando doutrinariamente, fui esclarecendo aquela jovem sobre os problemas da humanidade.
_ Você não é a única a passar por este problema! Muitas famílias estão endividadas com suas decisões! As separações estão aceleradas pelo mundo porque são os reencontros e desencontros que juraram em seus karmas!
Ela parou para me ouvir. Seus olhos me procuravam no lusco-fusco, porque eu estava invisível e somente ouvia minha voz. Eu falava dentro de sua cabeça. Assim como os aparás escutam as vozes dos mentores.
Silêncio, sim, o choro se tornou instrução.
Ao passar minha mão sobre sua cabeça, ela sentiu um arrepio e suspirou.
_ Quem é você?
_ Eu sou somente um amigo! Me pediram para vir até aqui!
Conversando telepaticamente com ela eu ia trabalhando psicologicamente seu eu. Ela não cresceu, mas regrediu emocionalmente. Muitas doença autoimune adquiriu nesta fase de separação. Seu físico alterou seu estado por não aceitar que seu pai saísse de casa, porém não aceitava sua mãe sozinha neste mundo. A culpa não era de ninguém. O relacionamento acabou por besteiras. Cada um não aceitava ser submisso ao outro para viver um casamento, viver uma união . Quando se casa na terra se une espiritualmente.
Os filhos que pagam este compromisso do rompimento.
Vou esclarecer melhor.
Eu tenho um trauma de uma vida passada. Sangue, sim. Eu carrego dentro de mim este desafio de não poder ver o meu próprio sangue.
Foi um tempo bárbaro de conquistas pela força. Como legionário eu vivia as revoluções armadas. Comandante de tropas eu desafiava a própria morte.
Por onde passava as cinzas se levantavam.
Eu pedi a Deus uma nova oportunidade de não cometer mais estas atrocidades. Ele me deu este trauma.
Salve Deus!
_ Como você está?
_ Estou melhor!
Foi uma conversa muito bacana como se eu fosse seu pai. Ela me ouviu e parou de chorar.
_ Levanta-te desta cama e ajude tua mãe! Ela precisa de você curada, para as duas se ajudarem!
Ela sorriu. Seus olhos se abriram. Foi um processo de infiltração mental. Mesmo não me vendo, ela sentia minha presença.
A pior doença é a emocional. Isso abala qualquer família. É como abrir uma porta para as enfermidades entrarem. O corpo físico não tem defesa.
Aos poucos fui saindo para não lhe causar mais um trauma. Vi que ela estava recobrando sua felicidade. Ao passar perto de sua mãe, ela sentiu uma leve brisa a balançar seus cabelos.
_ Seja quem você for eu agradeço pela ajuda! Deus lhe pague!
Ao receber esta energia do agradecimento eu me senti bem. Foi como uma transfusão espiritual.
Cheguei em casa. Olhei no relógio da parede e marcava 4h15m. Como sempre, o sono desaparece.
Eu registro estes passos missionários para assegurar que nós temos responsabilidades com nossas juras transcendentais. Não brinquem de marido e mulher. Se amem, se respeitem.
Ninguém cruza um caminho sem ter jurado o seu destino.
Quando não tem como sustentar um relacionamento não se abandonem. Sejam amigos.
Sei que é muito difícil manter uma amizade contaminada pelo ódio. Somente o tempo cura as feridas, mas o trauma fica.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
03.08.2026

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