ARREDIO ESPIRITUAL

ARREDIO ESPIRITUAL
Para mim era uma colônia que servia para dar oportunidades aos espíritos arredios.
A dona era uma mulher alta, branca, mas muito educada que fazia o trabalho de resgate. Ela pegava os espíritos arredios e os levava para este sítio e ali tinham que trabalhar para merecer.
Quando um espírito era levado para este lugar ele ficava em quarentena para se adaptar ao sistema.
Eu fui conhecer e fui bem recebido pelos atendentes que eram os arredios mais antigos.
Ao chegar, a mulher não estava. Ela tinha ido buscar mais espíritos que se perderam em suas juras transcendentais.
Eu não sei descrever quais métodos eram usados para conquistar os espíritos. Sei que eles chegavam entorpecidos por alguma coisa ou algum remédio.
Percorri o local. Os trabalhadores tinham metas a cumprir. Após o duro trabalho a mesa era farta. Só podia saborear quem executasse suas tarefas. Ali só permanecia quem trabalhasse.
No primeiro impacto eu observei como sendo escravos de um sistema, mas depois eu fui me compenetrando que era um lugar de recuperação.
A mulher chegou. Eu a reconheci quando estava na terra. Agora espiritualmente ela recebeu esta comenda missionária por seus relevantes serviços.
Na terra tinha um trabalho dentro da área de saúde como funcionária governamental. Trabalhava no Raio-X da saúde pública.
Eu não recebi o direito de abrir seu nome, mas nas entrelinhas vou deixando pistas.
Ela me reconheceu assim que me viu o tratamento mudou. Ela sorriu para aliviar minha tensão. A gente quando viaja não sabe qual missão irá cumprir. É tudo deixado ao cargo dos espíritos.
Eu recebi um abraço tão amoroso que até me assustei. Parecia de mãe para filho, mas não era minha mãe que também desencarnou.
Ela me convidou para a ceia que já estava preparada para aqueles espíritos. Era farta de tudo que se possa imaginar. Para mim era um banquete.
Assim que a sirene tocou, todos largaram suas ferramentas e foram chegando. Havia respeito e organização.
Cada espírito pegou o que desejava e foram sentar nas pradarias.
Eram muitos vestidos de branco. Um camisolão que cobria dos ombros até os pés.
Eu peguei somente um manjar para mim. Podia ter pego muitos pela fartura, mas minha educação me orientava a ser prudente.
Fiquei um bom tempo lá e larguei meu físico na terra. Assim que terminou esta visita eu voltei. Senti uma dor física na perna esquerda porque havia ficado encavalada sob a outra. Fui exercitando as pernas para reparar o músculo. A gente que já tem certas idade o corpo físico sente as dores. Simplesmente eu apaguei na terra.
Ainda recordo muito bem desta jornada espiritual. O segredo está em não ter segredo.
Eu revelo o que acontece comigo para preparar seus espíritos para a transição da velha para a nova era.
Para depois não dizerem que não sabiam.
Ser missionário é compreender que temos outra vida paralela. Tudo que fazem aqui reflete no espírito. Quanto mais bônus tiverem por merecimento, mais fácil será o caminho do espírito.
Não exijam demais. Não peçam muitas riquezas. O preço é muito alto para pagar.
Como destes espíritos que eram arredios na terra e agora no céu não tinham merecimento. Antes de serem aprisionados como escravos das falanges, eles foram resgatados pela tia. Era assim que a chamavam neste sítio.
Eu vejo os templos do amanhecer como um sítio de recuperação. Os espíritos ficam presos pelo magnético e só saem quando estão recuperados. Aqui na terra nós trabalhamos muito pouco, porém no invisível plano não tem hora. O trabalho é constante.
Como ontem que os índios fizeram uma grande festa no templo. Muita fumaça branca, muito fogo, muitas invocações.
Se tivesse mil aparás todos iriam participar diretamente deste convívio entre a terra e o céu.
Eram nossos irmãos jaguares em suas roupagens de índios.
Caiapó, meu grande irmão. Recebi meu presente.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
23.08.2026

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