REUNIÃO
Fui convidado para participar de uma reunião em uma casa de Seta Branca. Fui. Sentei-me bem atrás como manda o mandamento e fiquei esperando começarem. O povo estava em silêncio e ninguém se levantava para dar início e me olhavam. Senti que era eu quem deveria iniciar e tão logo levantei e dirigi minhas palavras aos espíritos.
_ Salve Deus! Como sendo o mais antigo, em idade e em missão, eu abro esta reunião!
Não haviam perguntas, eles queriam conhecimento.
Eu fiz três perguntas que deveriam responder para dar início ao diálogo. Elas iriam destravar a mente e proporcionar uma realização especial.
Eu olhava para fora. Era um lugar diferente. Havia um pequeno córrego de água bem cristalina que cortava o terreno quase passando dentro do templo. Eu olhava na réstia da água quando um buraco se abriu e foi engolindo água e terra. A cada momento abria mais e isso me chamou atenção.
A nossa vida em especial é de uma natureza mais fluidica, mais responsável que não permite desvios de conduta. Ter missão é ser reconhecido pelo astral superior.
Um mestre ou uma ninfa que tem seu nome registrado nas alturas eles são testemunhas dos acontecimentos em suas missões tanto na terra como no céu. Tudo porque a eles foram confiados a verdade.
Eu fui narrando as identidades que assumimos no decorrer desta jornada. Desde o princípio: branquinho para o jaguar até centurião. Em cada consagração uma nova etapa nos dá direito ao reconhecimento espiritual.
Quando eu olhei para fora o buraco havia crescido muito. Eu vi um homem ainda preso nesta dimensão que não conseguia sair deste estágio por seu orgulho ferido. Era um homem católico, porém a religião não o salvou desta situação.
Fui conversar com ele. Era um boiadeiro. Como se distanciou da evolução ficou amarrado em seus próprios laços. Ele começou a rodar a sua corda e o laço ia aumentando.
_ Exu boiadeiro! Exu boiadeiro!
Gritava este homem. Eu parei e dei três passos atrás. Aquela invocação estava criando um círculo vicioso. Riscando o chão com a ponta do laço marcou ponto.
Eu conheci este homem em vida. Desencarnou por um trabalho feito, uma mandinga. Esta preso esperando justiça contra o autor de sua morte.
Ele não tem nada contra mim, porque eu tinha o maior respeito por ele quando lidava com seu gado. Conversávamos como amigos e eu ouvia suas histórias de boiadeiro. Ele foi enganado pelo mesmo autor do despacho.
A maldade não está nos espíritos e sim nos encarnados. Os espíritos só querem justiça.
Eu fui conhecer o paradeiro de uma mandinga feita sobre uma foto. Pai Joaquim quebrou o encantamento e a foto ficou perdida. Eu teria que pegar esta fotografia e queimá-la no fogo etérico. Tudo para desfazer um grande mal.
Eu já contei sobre um evento que aconteceu com uma jovem de Curitiba. Pegaram sua foto e a mataram em três dias. Eu não consegui impedir mesmo Seta Branca trabalhando para impedir sua morte. Tatiane era seu nome. 16 anos de idade e um final triste dentro de um ritual negro. Eu desafiei este mundo negro para libertá-la. Falhei, pois já estava prometida. A única salvação foi encaminhar seu espírito para Sabá. Até hoje ela trabalha com Sabá atendendo as famílias desajustadas.
Muitas vezes as pessoas se chocam com meus relatos porque não convivem diretamente com estes fenômenos que não são visíveis. A visão atrapalha o reajuste karmico.
Eu sempre quero o bem das pessoas. Por não corresponderem com seus ensinamentos vão praticando a liturgia como lhes foi entregue. Se tornam mestres na arte de doutrinar. Sem uma visão direta exercem seus papéis de evangelizar sem conhecer quem ou o quê. Eu admiro muito o bom pregador que usa de suas palavras dentro do conhecimento para emanar seu amor. Não por dinheiro, mas por respeitar Deus. Quem tem um dom jamais cobrará por seus feitos.
Deus não precisa de dinheiro, mas o homem precisa e usa Deus como promessa.
Não achei a foto. Está escondida em alguma cumbuca de mel. Eu vou continuar procurando.
A reunião terminou e assim que voltei já senti o peso das vibrações da terra. Não se permitam cair em tentação. Façam suas preces e peçam paz aos menos esclarecidos. Eu sou um simples doutrinador que amo a liberdade de expressão. Expressar seus conhecimentos é levar a mensagem de amor, tolerância e humildade. A coragem para mudar o que não pode ser mudado. Se na terra está difícil aceitar esta transição para a nova era, no céu está do mesmo jeito. Tudo está de pernas para o alto ou pernas para baixo. Esta mudança mexeu com tudo.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
03.03.2025