PERDENDO A FÉ
A gente acaba até perdendo a fé.
Nesta noite, ao apagar das luzes da terra, dois espíritos chegaram aqui comigo. Um desencarnado e a outra encarnada. Foram marido e mulher.
A mulher veio atrás dele dizendo, nós vamos morar aqui no vale.
Eu fiquei numa situação esquisita, não podia mandar embora e também não podia deixar. A única situação era encaminhar o desencarnado para a grande casa e a mulher mandar de volta para seu físico.
E assim foi feito.
Voltei e acendi as luzes da terra, mas por pouco tempo.
Desta vez eu convidei um jaguar para ir comigo. Como professor de história ele tinha que registrar este evento no Amazonas.
Era algo muito antigo. Eram túmulos que estavam sob as matas densas. Em cada tampa tinha os nomes dos mortos entalhados na pedra. Túmulos em fileira de três em três.
Ao chegarmos neste caminho a selva estava em silêncio profundo. Três horas da madrugada e naquela escuridão só dava para enxergar o que era necessário. Ao descobrir este passado a luz emanada pelo espírito acendeu a chama branca. Ficou claro e possibilitou nossa movimentação.
O jaguar estava muito curioso e foi ler os nomes gravados, chegando até quase tirar a tampa de um túmulo. Espiritualmente não se altera o material. São coisas ainda desprovidas de energia ectoplasmática.
Este mundo amazônico tem muita história a ser descoberta. Tem muitos segredos.
Não pude datar o período deste pequeno cemitério, mas deixamos um rastro luminoso para guiar.
Eu estava bem apático espiritualmente. Os espíritos sugam tanto nossas energias que chegam a sufocar nossos espíritos. Como no caso deste casal. Eram componentes do ministro Apurê, mas preferiram seguir o caminho das pedras. Eu não forço ninguém a caminhar comigo. Tem que ter desprendimento para trilhar meus passos. Caminhar na terra e no espiritual.
Não se deve forçar um destino sem que o mestre tenha plena consciência missionária.
Este jaguar desencarnado teve muita assistência do templo, mas procurou viver criando problemas na relação adjunto e no povo.
Dividiu todos por se achar no direito de atrapalhar minha missão. Eu não o critiquei e nem censurei, pois tinha consideração pela sua família.
Velho ditado: quem procura acha.
Muitas vezes acham coisas tristes como a divisão.
Seta Branca ficou muito triste quando a doutrina foi atacada pelos próprios filhos. Ele ainda está tentando pacificar sua tribo.
Eu fui escolhido nesta contagem An/Un como observador da vida na terra e no céu. Muitos acertos e desacertos aconteceram até este momento, mas que sobreviva a memória de Koatay 108.
Um dia os jaguares terão consciência da verdadeira luta que não é entre irmãos e sim contra a escuridão mental, a inconsciência.
Ao voltarmos da Amazônia com levantamento topográfico do mutupy para o registro da localização desta descoberta.
Não posso dizer se vai ser na implantação da ferrovia transoceânica que irão descobrir os segredos. Tem muita história a ser contada como da extração da seiva das seringueiras que deixou muita gente perdida na floresta.
O jaguar ficou entusiasmado com sua viagem e eu fiquei lisonjeado porque aceitou caminhar comigo.
Se todos tivessem humildade para destravar o espírito da couraça poderiam fazer estes transportes sem necessidade de estarem presos ao sistema encarnatório.
Todo cuidado é pouco. Existem muitos perigos no caminho dos espíritos. Se não tiver padrinho, não vá. Fique no seu mundo para não dar trabalho aos seu mentores.
Eu tive muito trabalho para abrir minhas portas. É como nascer e ir descobrindo a vida como ela é.
Hoje sou dono do meu portal e continuo trabalhando em dois mundos. Apesar de sentir os efeitos colaterais da presença de espíritos vivos e mortos, a missão continua. Até quando Deus quiser.
Por isso se diz: instrutor universal.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
14.10.2026

