NÃO DESPERTE O INIMIGO
O que eu tinha que fazer lá!
As vezes nossas boas intenções são mal interpretadas e podem causar um estrago muito grande na recuperação dos espíritos.
Nesta viagem eu encontrei um templo que fica ao lado de uma Br. Eu fui conhecer. Ao chegar eu observei que era nosso estilo com algumas diferenças. Um povo até grande e suas indumentárias se pareciam com as do vale, mas eram uma mistura de ciganos, e outras formas de apresentação. Era um comércio com chão de barro e muitas poças de água.
Parei na porta com receios e aquele povo me olhava da cabeça aos pés. Fiz a saudação e entrei.
Por Deus. Era o meu oposto. Era tudo como o meu sonho, só que ao inverso.
Fui andando na contramão da elipse para ver os rostos dos viventes. Uma fila de espíritos aguardando a chamada para um ritual. Ao eu passar ao lado eles desmancharam a formação.
Tudo muito estranho. Fui até os fundos onde terminava em um lugar ermo e aquele povo ficava espalhados pela colina.
Voltando pelo outro lado, o espírito responsável veio atrás de mim. Me olhou e logo foi metendo as ferraduras no meu peito.
_ O que você quer aqui! Aqui não é o teu lugar!
Eu olhei para o homem que tinha um rasgo na boca ao lado direito do rosto. Tinha um braço atrofiado que eu não sabia o motivo naquele momento. Era baixo e autoritário como um coronel. Me enfrentou ali mesmo.
Sabem quando um cachorro cai do caminhão de mudança. Assim eu fiquei.
_ Eu sou amigo e não inimigo!
Era como tentar apagar o fogo com gasolina.
O homem esbravejava de ódio.
Foi me tocando de dentro. Foi como se me empurrasse para fora dos seus domínios.
Tudo que eu faço aqui no templo ele toma como pagamento de uma dívida passada. Porém eu não podia nem pisar no seu território.
Com dificuldade de falar e de levantar seu braço direito, eu me preparei para o pior. Aos poucos a visão espiritual foi descrevendo este enredo. Era um soldado de um exército inimigo que no campo de batalha houve enfrentamento. Tínhamos um lema: não levar inimigos pois seriam como peso no avanço das tropas. Este soldado morreu vítima de um golpe de espada em seu braço cortando sua boca.
Assim tudo que eu faço ele toma.
Agora já sei onde estão assentados. Aos poucos vou visitar este lugar e plantar a semente do amor e do evangelho. Não vou bater de frente, vou respeitosamente pedir licença. Tem um ditado: se você não pode vencer teus inimigos, junte-se a eles. É exatamente isso que vou fazer, começar a mudança por dentro.
Ele não lê meus pensamentos, porém ouve muito bem.
Há quase 60 anos eu carreguei este martírio nas costas. Preparava os médiuns e logo saíam do templo indo para outro templo. Era ele que atuava na cabeça dos filhos do Ministro Apurê. O ódio era contra minha missão.
Eu precisei voltar, voltar por não saber amar. Voltei para reencarnar e voltei como responsável por uma casa de Seta Branca.
Aqui eu abri as portas do meu coração para receber meus conterrâneos de muitas jornadas. Amigos e inimigos.
Eu fui expulso deste templo. Foi medo de conhecer a verdade, mas como disse Jesus: somente a verdade vos libertará.
Eu saí bem contrariado e voltei trazendo em minha memória a fisionomia do soldado.
Às vezes a gente mete a mão na cumbuca sem saber o que tem dentro. Pode ter moedas de ouro ou uma serpente enrolada.
Desta vez eu encontrei a serpente do meu destino.
A imagem do espírito não sai da minha cabeça.
Vou oferecer minhas preces em seu benefício para acalmar a ira do seu coração.
Ao invés de lutar contra, vamos nos unir. Vamos ter coragem de enfrentar as nossas batalhas.
Eu pedi perdão, mas somente o tempo vai responder a este pedido.
Todos assistiram as minhas palavras. Foi como um julgamento dentro do covil de feras.
Virei minhas costas e parti para meu mundo. Deixei minhas lembranças a todos aqueles que me conheceram e que hoje fingem não me conhecer mais.
É vida que segue. O mundo dá muitas voltas. Hoje tá ruim, mas amanhã estará bom.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
07.08.2026

