ENCANTADOR DE ALMAS
Um rico pobre homem.
A única riqueza que tinha era sua viola com a qual cantava louvores a Deus, apesar de morar em um grande castelo.
Nesta viagem de reconhecimento eu cheguei neste mundo ainda preso no sentimento de culpa. Os espíritos que se sentiam enganados não queriam perdoar o violeiro por não ter falado a verdade. Porém, ele não enganou, somente se absteve de falar o que muitos não queriam ouvir. Eles próprios não queriam a verdade porque poderiam quebrar o encanto da vida que tinham.
O violeiro cantava do alto da muralha e sua canção hipnotizava quem ouvia. Não cheguei a contar quantos filhos de criação e adotivos, mas eram muitos.
Na hora da despedida a viola não tocava mais. Foi um quadro triste de frieza e despedida humana. O homem disse:
_ eu deixei uma grande riqueza escondida aqui!
Isso bastou para todos irem buscar. Não era ouro e nem prata, era algo muito desconhecido por eles que agora se materializaram na busca.
Isso foi o ponto de partida para conhecer quem era quem. Fizeram uma varredura no castelo e nada encontraram. Ficaram tão aborrecidos que em seus pensamentos só tiveram descontentamento.
Isso que bastou para prender aquele violeiro no destino de amor que tinha por aqueles seres que nada tinham.
Aquele castelo sob o luar da cheia até parecia um assombrado lugar pelos uivos dos espíritos como lobos.
Eles não foram enganados, eles se iludiram por uma falsa intenção de querer o que não lhes pertencia.
De onde eu estava, ainda ouvia a voz do velho violeiro. Entrei e logo saí deste castelo. Eram vultos ainda procurando suas riquezas.
Lá, escondido no alto da muralha, ele se recolheu com medo das reações daqueles que tratou como filhos. Agora não eram mais filhos, eram caçadores de recompensa. Foram se matando pelo desejo de não dividir o espaço. Não sobrou ninguém para contar a história.
Quando o violeiro começou a dedilhar as cordas, aquela música parecia chamar todos na razão. Eles olhavam para o alto na claridade da lua que brilhava nas pedras como prata.
Ali estava o tesouro escondido. Era o grande Deus da sabedoria.
Agora são prisioneiros, são almas falidas por não compreenderem seus corações. Todos são prisioneiros de seus desejos.
Ontem, antes de deitar, uma mãe veio com duas crianças. Espíritos que foram traídos pelo homem da casa. Eu não conseguia me desprender do físico para atender a necessidade que vieram buscar. Fiquei por horas com os olhos secos e eles ali na minha aura.
Somente pelas três da madrugada eu saltei deste mundo para o outro. Lá estavam, mãe e duas crianças. Não estavam desencarnados. Vieram transportados à procura do pai. Eu ainda estou querendo entender este mistério.
Vão passar nos trabalhos de hoje na casa de Seta Branca.
Eles vieram por indicação dos mentores que sabem o destino de cada ser humano.
Não adianta esconder ou se esconder da verdade. Um dia ela rebrota das cinzas e como carvão marca a testa dos destinos.
Eu não diria a marca da besta, mas o final de uma viagem. Quem for marcado tem duas alternativas: viver sua redenção ou morrer as minguas.
Assim como destes espíritos presos ao castelo. Mortos vivos ainda querendo desenterrar um tesouro.
Ilusão mental ou encantamento emocional.
A música entorpecia aquelas almas aflitas. Era isso que desconheciam: o amor em melodias. Era essa a maior riqueza que tinham, mas não entendiam porque ficaram cegos pela cobiça.
Aquele castelo virou um mausoléu sob a lua cheia. Sempre quando a lua desponta no horizonte eles se reúnem para ouvir o chamado do violeiro de Deus.
Deus escreve nas entrelinhas das canções. Deus gosta de ouvir os louvores dedicados à pacificação da terra. Nem todas as canções atravessam o neutrôm. Uma música sem estilo vibracional é como um barulho infernal que revolta vivos e mortos.
A lua se escondeu no sol e a canção cessou. Começou tudo de novo.
Só se ouvia os murmúrios dos espíritos presos nas pedras do caminho.
Eu voltei. Voltei por não saber amar. Hoje a minha riqueza são meus filhos de criação e os adotivos de coração na missão que me foi confiada.
Eu sou pai, sou filho e sou irmão.
Se cada ser humano compreender sua posição neste cenário de evolução, a sua história se torna a riqueza do seu coração.
Amanheceu o dia. A lua se escondeu no sol e eu acordei sentindo a saudade dos velhos tempos que só voltam na memória. São as lembranças de um caminho. Feliz ou triste.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
01.08.2026

