CEMITÉRIO
Há vida dentro de um cemitério.
Eu acabei me envolvendo até sem querer e me diverti muito com os mortinhos. Eu fui atrás de uma ninfa Yurici que desencarnou muito tempo atrás e ao chegar no cemitério ela se tornou foco principal desta viagem. Aqui na terra ela era muito autoritária, gostava de mandar e isso causou um problema de relação com os demais mestres.
Quando cheguei ela veio me receber com sua indumentária de Yurici sol e já deu ordens.
_ Aqui quem manda sou eu!
_ Salve Deus!
Me convidou a entrar pela via central e logo fui reparando os espíritos indo e vindo. Parecia uma festa, mas ela me disse que isso acontece todas as noites. Passei por um túmulo e tinha um jovem deitado sobre seu túmulo. Parei para conversar. Ele disse que morreu por um acidente que atingiu sua perna direita. Gangrena. Sim, não teve os cuidados necessários.
Eram tantos espíritos que quando viram que eu podia vê-los e conversar foram chegando. Tinha uma criança cabeluda, parecia que não cortava seu cabelo há muitos anos.
Eu sorria com aqueles espíritos. Não é porque estavam mortos que deixaram de ser alegres.
A Yurici me acompanhou até o fim desta visita. Parecia que abriram os túmulos de tantos espíritos saindo de suas covas.
Para mim foi uma festa festejar com todos eles. Todos queriam saber da terra, queriam notícias de suas famílias. Eu não tinha notícias, eu fui somente conhecer o paradeiro da Dona Maria.
Eu olhava para ela bem séria me observando.
_ Minha irmã, não seja tão dura com estes irmãozinhos!
As palavras dela eram ordens aos demais. Disciplina para manter o respeito.
Eu fiquei pensativo, porque num cemitério?
Ela era uma missionária que tanto quis moralizar a terra. Apesar de ter aprontado contra mim, eu gostava muito dela.
Assim aquele povo veio e me rodearam. Eu sorria pelas imagens que cada um trazia do seu mundo. Foi um jeito de alegrar este cemitério. Chega de tanta dor, de tanta tristeza. Nós temos vida em dois planos e não é porque morreram que vão ficar sofrendo eternamente.
Alegria meu povo!
Eu olhava em seus olhares a curiosidade que tinham. Como pode um vivo estar entre os mortos.
Cada corredor tinha uma grande quantidade de mortinhos que vinham chegando.
Tudo pela falta de orientação espiritual. Eles morreram desacreditando na outra vida. Agora viram a importância do conhecimento da vida após a morte.
Conversei com a ninfa sobre o motivo de estar ali.
_ eu assumi esta missão como eu queria ter na terra! Lá eu não pude mandar e aqui todos me obedecem! Agora eu sou reconhecida!
_ Salve Deus!
Graças a Deus que a senhora está bem. Quantos anos sem dar notícias. Foi preciso eu vir atrás para saber se estava tudo certo.
_ Meu irmão eu estou bem, estou em paz!
Neste momento recebi suas ordens para voltar. Meu tempo acabou ali.
Deixei tudo e todos um pouco mais felizes. Eu gosto de ver todos alegres e contentes.
Apesar de ter uma missão difícil na terra, o mundo dos espíritos me alegram.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
07.07.2026
