REALEZA
Lucia foi uma figura muito importante para aqueles momentos em que reinava uma família de ilustres fidalgos.
Eu estou na casa de minha filha e meio apático comigo mesmo. Algo chamava minha atenção de muito longe desta realidade. Meus pensamentos foram furtados do almoço e transportados para este mundo irreal.
Tive que escolher um cantinho na sala e ali começou esta rica história.
Era um enorme casarão branco com enormes colunas que sustentavam um poder de manobrar os destinos. Ela era casada com um ilustre e respeitado político já para aquela atualidade.
Ele, vestido de branco, como se pertencesse à família imperial inglesa com suspensórios pretos, atendia seus consulentes em seu escritório ao fundo desta mansão.
Eu fui até lá. Foi uma viagem demorada entre sair do corpo e penetrar neste espaço invisível.
Cheguei em frente e fui recebido pela Dama da nobreza. Ao abrir as portas eu fiquei admirado com o que via. Tudo em mármore branco. Não havia nada fora do lugar.
Entrei e só não fui até seu marido e senhor, porque minha missão era com ela. Ela não se incomodou comigo, fui muito bem recebido.
Olhando do grande alpendre eu via uma paisagem vislumbrante e esta construção ficava bem no centro. Era uma fazenda de muitos interesses políticos.
Ao voltar para a porta fechada eu observei Lúcia atendendo muitas mulheres que já tinham conversado com seu marido. Ela me viu e logo dispensou todas e veio me receber novamente. Seu marido com um cigarrete na mão, produto enrolado em folha de tabaco, baforando para o alto, tinha planos para o futuro.
Ao sair do seu escritório chegou até onde estávamos, porém ele não me via porque eu estava na aura da mulher. Ela viu e não alertou para não constranger este momento.
Conversamos um pouco sobre minha missão. O mais importante foi conhecer esta dama que com uma educação excepcional me atendeu.
Ela conversava comigo e com seu marido sem misturar as duas coisas.
Não era traição, porém ele não iria entender este mistério.
Imagino o que pensaria se fosse avisado da minha presença.
Foi um breve contato, sim, houve uma inclusão da individualidade na personalidade. Ela, hoje, está reencarnada e ele não. A vida de Lúcia nesta terra é viver a sua solidão esperando pelo seu grande amor. Todas as noites ela se desloca até esta origem para manter em segredo a revelação.
Eu busquei este mundo para despertar o compromisso que ficou preso nas juras transcendentais. Ninguém pode viver preso no passado estando no futuro. É como um sofrimento calado pelo tempo de espera.
O verdadeiro amor incondicional. Amor que o tempo não apaga.
Ao ver este compromisso eu tentei mudar o roteiro desta jornada para que ela tivesse um novo destino. Quebrei um copo e joguei um prato ao chão. O homem levou um susto e sua mente se ajustou ao medo. Com isso consegui bloquear suas mentes.
O susto pelo impacto causa uma distorção nas vibrações das paixões. Muda a frequência.
Ela também se assustou, mas não com o acontecido, mas com seu marido. O que ele iria pensar.
Ao ver o susto dele, ela sorriu. Ele saiu correndo dali porque tinha medo de fantasmas. Deu uma torcida no pescoço como se dissesse algo, um arrepio.
Meu compromisso era abrir uma porta e fechar outras. Selar o passado e abrir o presente.
Minha admiração foi com seu nome que varou as reencarnações. Seus pais da atualidade, já desencarnados, foram intuidos a registrar o mesmo nome.
Tudo pelo amor, pelo poder, pela riqueza. Apesar de serem da realeza, eles eram simples. Politicamente decisivos em questões governamentais.
Minha ida até este mundo foi para reconduzir os espíritos que ficaram presos nesta janela temporal.
Minha missão depende muito da evolução destes espíritos.
Cheguei agora pouco. Muitas vezes a minha solidão na terra é como viver em um mundo dinâmico. Todo médium visionário vive o seu mundo como ele o vê. É muito sofrido não ser reconhecido pelos planos de uma realidade. Pode ser como uma ficção sem testemunhas da verdade. Ninguém testemunha as minhas viagens. Somente o grande Deus em sua infinita bondade.
Estou descrevendo um momento de respeito. Eu não vim para mudar as leis, mas fazer delas um instrumento de conhecimento e evolução. O conhecimento de tudo que é bom nos afasta da ignorância mediúnica.
Não carreguem muitas pedras no coração porque todos são livres para raciocinar. O importante é o bem que se colhe de tudo que conseguimos compreender.
“Que atire a primeira pedra quem nunca ou jamais pecou”.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
10.05.2026
REALEZA
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