O HOMEM DA PONTE
Neste episódio que atravessa o tempo nós vamos reconhecendo o caminho que deixamos para trás.
Cheguei. Era uma antiga ponte de ferro que ligava o continente a uma pequena ilha. Para atravessar tinha que pagar uma moeda de ouro.
Um homem negro era o porteiro desta entrada. Quando ele me viu, esticou sua mão como pedindo o pagamento.
Eu não tinha moeda, não tinha bolso e nem bolsa. Como pagar minha passagem.
Ele não permitiu que eu seguisse.
Aos poucos eu fui conversando com ele. Sabem, aquele papo de doutrinador. Conversa vai, conversa vem e sua história rica em detalhes um pouco triste pelo acontecimento foi se transformando em pérolas.
_ meu senhorio me deixou aqui, plantado, para cuidar desta passagem!
Eu escutava e tentava abrir esta revelação para poder entender o real significado dele estar com esta missão.
A palavra missão tem sentido amplo quando assumimos um juramento. Ao jurarmos nos comprometemos a seguir um comando. Digo assim dentro deste sacerdócio.
Sentei à beira da ponte para ouvir a verdade deste homem. Eu já havia desistido de passar pela ponte quando ele me disse que somente eu poderia ter chegado aonde cheguei.
Não! Não vou desafiar o destino. Eu só estou de passagem por estes mundos esquecidos.
Minha curiosidade de saber o que tinha noutro lado da ponte acabou. Poderia ser algo maravilhoso ou decepcionante por ter um espírito cuidando.
Na conversa eu entendi como se ele fosse um escravo e seu senhor o deixou ali com esta missão.
Naquele pote de barro muitas moedas amarelas brilhavam como mágica. Tudo para chamar atenção dos curiosos.
Eu não sei onde e como chegar neste caminho. Sei que cheguei pelo espírito com visão do destino.
Quando soubermos diferenciar os valores da vida sobre a terra nós não seremos prisioneiros dela. A terra vai sair dos nossos pés e a gravidade não nos prenderá como escravos de um sonho. Nós temos muitos sonhos. Alguns se realizam e outros não. É como estudar para aprender. Na terra há muitos esforços para aprender com a tradição milenar. No céu é onde temos todas as disciplinas gravadas no espírito. Seria importante descobrir quem somos nós nesta encruzilhada entre dois caminhos.
Temos à nossa frente duas estradas, uma vai para a esquerda e a outra para a direita. A nossa felicidade está em saber escolher.
Como diz na cruz do caminho, siga a placa, as respostas estão bem ali.
Eu ouvi muitos conselhos deste homem. Mesmo sendo escravo deste destino ele tem muito conhecimento sobre a vida.
A intenção de cobrar é como preparar as pessoas para terem um futuro. Tudo na terra gira em dinheiro, mas no céu sem bônus também não se compra nada. Vai ter que trabalhar para receber. Assim disse o mestre dos mestres.
Que aula. Nós, mortais, não prestamos conta da necessidade do espírito ser livre para alcançar a graça de Deus.
Eu sempre vou buscar conhecimento. Sempre vou viajar para integrar a continuação do homem do terceiro milênio.
Muitos ainda estão presos aos grilhões nos tornozelos arrastando as inverdades do seu coração.
Livres como um pássaro que sabe voar na escuridão das noites sem luar.
Lua, divina lua!
As flores do campo exaltam o senhor do astral.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
31.01.2026