EU ERA UMA CRIANÇA…
Há, eu voltei no meu passado. Voltei por uma dor que não era minha, mas me machucaram.
Eu tinha uns oito anos de idade quando brincava naquele parquinho da praça da igreja. Dependurado nos ferros para atravessar segurando pelas mãos um homem chegou e me acertou um soco nas minhas costelas. Naquele momento eu caí de dor quase sem respirar e ele foi embora. Eu não tive tempo de gritar, de chamar alguém, pois a dor foi muito forte.
Sentado embaixo do brinquedo eu olhava para aquele homem sem saber o porquê ele fez isso.
Nós físicos esquecemos, mas o espírito jamais esquece uma dor.
Ao voltar eu passei em um lugar que era igual uma adega. Muitas garrafas de vidro nas prateleiras, que não eram bebidas. Parecia um labirinto criando ilusões.
Fui crescendo na memória astral dos 8 aos meus 68 anos. É uma corrida contra o tempo. Dormi com meus olhos secos. Coloquei um colírio e tão logo outra missão aconteceu. Cheguei em um lar e sua dona não estava. Um Jaguar veio me receber no portão dizendo que tinha algo para mim. Não sei se era espírito desencarnado ou transportado. Eu não consegui entrar, uma barreira não me deixava passar. Lembrei, há, estou sem o convite da moradora.
O jaguar entrou e eu fiquei aguardando ele voltar. Não voltou mais.
O reflexo de nossas atitudes ficam guardadas em nosso memorial espiritual.
Não confundam amizade com inimizade. Os amigos se respeitam mesmo no momento do desentendimento. Coisinhas de vivos.
Não pude ficar mais neste endereço. Eu voltei por saber amar meus amores, meus desamores, meus conflitos.
A grande jornada de um missionário é ser escravo de uma grande ideia. Se nós não tivermos um compromisso nunca vamos crescer no conhecimento e na libertação. Compromisso: espiritual ou material.
Sem esta chave de conduta nunca chegaremos à evolução da consciência.
É muito difícil ser um conhecedor e ser um errante ao mesmo tempo. Sabemos que os erros do passado são os acertos do presente. Agora cometer erros para o futuro gera uma descarga negativa que vai embolar como um novelo de lã cheio de nós.
_ naquele bauzinho tem suas lembranças!
_ Que lembrança?
_ As suas que ficaram registradas no coração de quem lê e sabe diferenciar os caminhos!
Eu escutei estas palavras que vieram do espaço exterior. Não perguntei mais porque somente o tempo tem respostas.
Naquele lugar dos vidros é como um museu de almas. Por fora não se via o que tinha dentro. Assim como nós que não vemos nossos espíritos quando encarnados. Sabemos que temos espírito e que sem ele nosso corpo físico morre. É como uma corrente de energia que move a matéria. Morte física, desencarne espiritual.
No canto que Koatay 108 me entregou para a contagem ele traduz a vida e a morte. Coisas que não prestamos atenção, porque pensamos somente pela terra.
Eu queria ter meus oito anos com a experiência que hoje eu tenho. Eu agradeço a Deus por ter despertado em mim a minha missão e o meu sacerdócio.
Hoje sou um sacerdote deste amanhecer. Não fui quando era jovem, agora eu aceitei caminhar com meu espírito.
Ontem a noite muitas visitas chegaram aqui em casa. Uma agitação emocional tomou conta de mim. Eram espíritos vindos de muitas concentrações. Todos querendo fazer parte da minha escola.
Quem sou eu?
Um simples doutrinador que sabe caminhar. Em muitos lugares eu deixei meu rastro para ser seguido. Nunca esperando aleluia como saudação ou gratidão de uma conquista. Ser missionário é não ter respostas para tudo, porém saber procurar.
Você vai, faz e volta.
Não queiram as pérolas dos agradecimentos porque não nos pertence. Somente os falsos profetas esperam os louvores da enganação.
Nós somos um pouco a razão da verdade, sendo coroada pelo amor. Como se diz: bate e sopra.
Estamos de volta às nossas origens.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
30.01.2026