CATACUMBA

CATACUMBA
Nesta vida tem muitas perguntas sem respostas.
Às vezes somos pegos distraídos pelo costume. Somos tão acostumados com as tradições que dificilmente mudamos nosso roteiro. Tudo que conhecemos vem desta vida pela envergadura familiar.
Ao chegar no destino programado no mundo dos espíritos eu entrei em uma catacumba. Havia um corpo enrolado em panos brancos deitado de lado. Fiquei espantado com esta visão e ao olhar pela janela do tempo era minha filha do passado. Ela, naquele período cristão, fez algo muito triste para mim, seu pai. Ela traiu minha bondade. E assim teve um destino triste.
_ Minha filha! Minha filha!
Eu escutei uma voz muito fraca murmurar algo.
_ Ela está viva!
Gritei espantado. Peguei aquele corpo e trouxe para fora. Fui retirando os panos que a prendiam e quando o último foi desenrolado houve um suspiro. O espírito saiu. Puxei ele junto comigo.
_ Você faz parte de minha família, você é minha filha!
Eu não estava contrariado com a traição que causou sua morte física. Eu estava agradecendo que a encontrei mesmo depois da morte.
Eu sou pai de muitos filhos. Eu sou o meu começo e o meu fim.
Ao resgatar esta filha do passado eu vi que o perdão é chave da gratidão.
A pior coisa que alguém pode fazer é trair seus pais. É uma dívida sem pagamento.
Nestas caminhadas do espírito consolador nós trazemos o evangelho atualizado para servir como alimento aos espíritos. As palavras de Jesus é como ter uma mesa farta de comida para matar a fome e a sede.
Moralmente é muito difícil que na terra a verdade prevaleça. Estamos acostumados a ignorar os caminhos que nos levam a Deus.
Eu, nesta vida atual, nunca traí um filho meu. Nem da família e nem como sendo missionário. Não iludo e nem trago notícias das velhas estradas. Eu só esclareço que estamos no mesmo barco e se ele afundar todos vão junto.
Assim eu vejo esta missão. Se ela acabar pelas mãos de seus missionários todos vão perecer junto. Lutem para retirar as cargas negativas de dentro porque são nossos resíduos kármicos.
A pior coisa é a ignorância mediúnica. É ser escravo do desejo humano.
Para eu “Ser” eu tenho que comprovar o que eu “Sei”. Não adianta eu navegar pelas palavras dos outros. Um homem sem palavras é como uma tempestade, ela vem com força, mas logo passa. Tudo é passageiro nesta vida.
O que não passa são as nossas palavras.
Eu não tenho direito de navegar pelas escolhas dos outros. Eu não seria eu, mas seria um escravo do costume.
A evolução é para todos que experimentam do cálice amargo. Seria como losna destilada com sabor de vinho santo.
Eu jurei a Deus o meu coração. O meu sacrifício humano é reparador do meu espírito.
As traições são como espinhos que sangram as mãos. Cada gota extraída serve como purificação do eu interior.
Eu fui aquilo que desejei. Eu estou no caminho da verdade.
Se pelo menos conhecessem o caminho de retorno teriam mais compaixão pelos espíritos. Os amigos não seriam inimigos.
Muitas vezes eu me calo para não fomentar a fome e a sede pela justiça. Os justiceiros de plantão são como ervas daninhas que grudam sugando a seiva. Quando você ver já está tudo contaminado. O bom pastor acolhe suas ovelhas salvando das feras e não as deixa comer desta erva da morte.
Eu estou pastorando minhas ovelhas em segredo. Não as deixo serem devoradas pelos lobos. Daqui do meu sétimo eu comando a minha nave.
Assim este espírito, minha filha amada, foi trazida novamente à vida. De joelhos aos meus pés implorava perdão. Levantei e a abracei com tanta força que senti seu coração partido. São como cristais que traduzem o nosso momento.
Agora já encontrei mais um elo perdido. Quantos mais ainda estão faltando.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
23.07.2026

Dúvidas!
WhatsApp X
Olá! Como posso ajudar?