ÚLTIMA ESPERANÇA…
Nossas missões são mais do que um simples momento de descontração.
Eu ouvi um chamado, uma voz fraca de criança que vinha de algum lugar. Ao me deitar em berço esplêndido logo me levantei. Naquele momento a voz chamando ficou mais forte. A falta de oxigênio neste mundo favorece a emissão do contato. Tudo parece ser mais fácil.
Fui seguindo o chamado e cheguei em um cemitério chamado esperança. Era bem pequeno, bem simples. Não havia capelinha ou grandes edificações. Era na altura do chão.
Ao chegar no túmulo a voz pedia ajuda. O espírito estava encalacrado no esqueleto, dentro da cova. Puxei para fora. Era uma criança dos velhos tempos que não volta mais.
A falta de conhecimento do pós morte aprisiona os espíritos onde seus corpos foram enterrados. Eles têm medo e não seguem para outra dimensão.
Ao retirar ela daquele lugar sua voz se calou. Foi um grande susto que levou. Ninguém até este momento tinha feito caridade.
Ao segurar seu braço fomos subindo. Ultrapassamos os portais dos centuriões que fecham os portões dos cemitérios. Chegamos, sim, era outro mundo. Era um enorme barracão com altas estruturas apontando para cima. Soltei seu braço e ela foi atraída por uma energia muito forte. Eu não senti a energia por ainda estar ligado ao físico.
Naquele momento ela desapareceu e sua voz cessou. Mais uma alma salva.
Olhando para aquele mundo no lusco-fusco da madrugada da terra eu entendo que tem muita coisa a ser descoberta. Segredos da eternidade.
Seria como se fosse os cinco continentes só que ampliados milhares de vezes a sua dimensão.
Nós temos as nossas origens, nossas tribos, povos, que se mantêm no contato mental pela intuição.
Eu edifiquei a minha mansão com os bônus da caridade. Foi tudo que recebi do pai Seta Branca. A vantagem de ser filho do sol, da lua e da luz é que toda caridade se reverte em ações diretamente ligadas à sua evolução. Sem caridade não há salvação.
Não falo em materialidade, mas falo dedicar uma prece em prol dos esquecidos, dos hospitais, dos presídios e dos leitos dos adormecidos. O canto universal deste amanhecer.
Em vida tia me entregou o seu canto universal. Era para eu fazer este canto na contagem das estrelas. Transmutação.
Não são somente palavras bonitas, é integração.
Tenho feito este canto para prolongar a ligação entre dois mundos.
Dias atrás eu fechei meus olhos na terra e o rosto de Koatay 108 surgiu do nada. Fiquei atento, porque tem muitos espíritos enganadores que criam imagens no subconsciente. A chave foi emitida. “Faça tudo como te ensinei”. A minha chave.
Salve Deus!
Pelo seu semblante havia uma grande preocupação. Porém ela era o segredo espiritual.
Estou tentando decifrar este enigma, não mais da esfinge, mas dentro desta corporação.
Eu sei onde está, mas também sei que tudo depende dela.
Dar tempo ao tempo.
Eu não posso interferir ou forçar a barra, ela é um espírito independente.
O chamado virá através de sua mediunidade. Virá do céu.
O único problema é que muitos não acreditam que o espírito pode reencarnar. Quem somos nós nesta história. Será que já temos as rédeas da vida e da morte?
Não enxergamos nem as nossas dificuldades, quem dirá falar sobre o merecimento de um espírito voltar para terra e continuar o que deixou.
Acreditem que vocês têm escolhas. Acreditar ou desacreditar. É uma questão de sabedoria e necessidade.
Ninguém desta terra tem em seu livre arbítrio o poder da decisão. Vivem por viver cumprindo seus karmas.
Surdos, cegos, mudos e incompreendidos.
Agora é na casa de Seta Branca que tudo muda. Vivemos a noite e o dia. Missionários em muitas linhas. É como uma corrente inquebrantável. Cada linha se une às outras de várias origens. Está formada a corrente do espaço.
Em uma aula, a clarividente explicou sobre os efeitos da união espiritualista. Pegou um palito e quebrou. Pegou mais de um e já não quebrou. A união faz a força.
Desunidos seremos como ovelhas desgarradas sendo atacadas pelos lobos.
Uma porta foi aberta para que a invasão acontecesse. Todos seguiram outras estradas. O comando central desuniu.
Será que não chegaremos aos 300 anos, como foi estipulado ao compromisso desta missão?
Os 300 esparta.
Leônidas e seu pequeno exército lutando contra um poder negro. Fomos cercados, mas sem alimentar o cavalo de Tróia.
Dubiedade do povo jaguar. As incertezas do coração.
Enquanto eu voltava com missão cumprida, eu sentia os efeitos do frio. Meu corpo estava gelado, sem cobertas.
Tão logo assumi, já puxei as cobertas.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
25.09.2026

