IGREJA MÃE

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IGREJA MÃE
Me levaram a mãe das igrejas. O cortejo estava grande, muitos espíritos esperando a ressurreição. Presos para renascer dos mortos.
Eu ainda não tinha entendido do porquê desta viagem tão longe a um destino complicado.
Aquele espírito que Pai Seta Branca trouxe nos trabalhos veio desta origem. Era um padre com muitos seguidores e morreu em frente aos seus fiéis enquanto ministrava suas palestras. Sem conhecer o mundo que pertenceria, sua mente também ficou presa na esperança de voltar das cinzas. Do pó veio e ao pó voltará.
O problema é que tem um espírito no meio desta jornada.
A fila não parava de passar e este espírito foi sendo sacudido por forças ocultas. Forças que a igreja tentava prender para ter o domínio.
Ao chegar ao lado deste servidor de Cristo ele me viu e levou um choque chegando a cair no chão. Eu segurei sua cabeça para não sofrer com o impacto.
Revolta. O espírito se revoltou contra o que lhe ensinaram neste ministério. A morte não existe para os espíritos. Porém eles mantêm as mortes como sequelas em suas memórias. Estão sempre morrendo.
Seta Branca como franciscano tem feito muitas mudanças na evolução destes prisioneiros da igreja mãe. Desde aquele dia que enfrentou o papado com sua humildade para mudar o conceito da riqueza e do poder.
Os espíritos que se sentem enganados não partem para suas origens enquanto não tiverem esclarecimento da verdade. Mas qual é a verdade?
Para eles é o que acreditavam em não existir vida após está vida. Quando chegam do outro lado sem convicção que estão vivos, há um declínio religioso e passam a perseguir todos que lhe enganaram.
Aqui eu digo: Sejam verdadeiros, não enganem ninguém tentando puxar a farinha para o seu saco.
Se vocês viverem se enganando poderão ficar presos neste mundo de sofrimento e desespero.
Eu não tinha noção quando este espírito passou por aqui na casa de Seta Branca. Ele foi puxado pela força da grande morsa. Morsa é uma das naves que trabalham com o amanhecer. Fugiu de um ritual, mas não me falaram de onde.
Eu vi ali os milhares de espíritos passando naquelas filas intermináveis. A única coisa que os prendiam neste mundo era a ressurreição. Eu não falei nada, respeitei a fé. Se bem que nós doutrinadores queremos falar, doutrinar, ensinar o evangelho, mas ali não era o nosso caminho.
O nosso caminho está no amanhecer. É onde recebemos as visitas dos grandes seres iluminados que fazem caridade.
Ser missionário é ser na terra e no céu. Muitos mestres só pensam pela terra. Suas mentes ainda estão ligadas à reencarnação.
Não procurem desarmonizar o sol interior com a ignorância humana. Cada um de nós tem uma missão diferente. Somos missionários em muitas linhas e isso não quer dizer que vamos conviver juntos, mas em sintonia, como diz a clarividente na carta ao doutrinador: duas aves em espirais imensas.
Ao longo desta estrada nós temos um compromisso com a nossa evolução.
“Eu sou mestre porque confio em mim e no meu sacerdócio, Jesus está comigo”.
Dizendo isso eu voltei. Cheguei em casa. Acordei para receber as energias deste sol que escondido pelo frio ainda não aqueceu esta manhã.
Lá não tinha sol, era um mundo lusco-fusco. Um mundo cinza.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
31.05.2026

Vale dos Deuses 1985
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