BOTEQUIM
Nesta viagem de retorno a uma origem muito complicada, eu cheguei em um mundo triste. Era uma mulher que não tinha procedência e vivia de porta em porta com seu punhal em mão tentando acertar os homens que se aproveitaram dela.
Ela não tinha amigos, somente inimigos. Foi muito constrangedor, porque quando um espírito deste mundo tem a oportunidade de reencarnar ele trás em seu coração esta mágoa, este desafeto espiritual. Até aquele que se dizia pai se aproveitou da situação.
Eu tentei dialogar para amenizar a vingança, porém cega pelo ódio não me ouvia. O objetivo dela era se vingar de um por um. Somente uma coisa que esqueceu, ela foi atrás deste começo que não terá fim.
Na frente do botequim, ela rodava em círculo ameaçando seus rivais. Ninguém conseguia segurar ou chegar perto.
Eu até tentei, mas o brilho do metal traduziu as intenções. A morte é sua amiga.
Vendo um pouco mais distante era como uma cidadezinha do faroeste. Poucas construções de madeira na rua principal. Com um vestido longo e sujo na barra, ela não descansava.
Teve várias oportunidades reencarnatórias e não evoluiu sua consciência. Nesta última está fazendo o mesmo roteiro. Está se vingando.
Sua cabeça é um redemoinho de pensamentos. Não dorme e não descansa sem psicotrópicos.
A perturbação mental atinge seu coração transformando seu ambiente nas inverdades.
Deixei tudo lá. Não era para mim, eu fui somente como missionário para ajudar. Ser caridoso é aceitar os karmas que chegam travestidos de bondade e depois florescem na maldade.
Esta mulher sempre será sua eterna cobradora, uma justiceira. Até que um dia compreenda suas juras transcendentais. Se cobra pelos seus próprios erros.
Chegando aqui neste cantinho amado que Seta Branca nos deu com seu imenso amor para colocar em ordem os espíritos encarnados e desencarnados. Uma pena que poucos entendam o que é ser missionário. Acho que ainda não abriram seus corações para Deus.
O paganismo existe mesmo dentro da fé.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
18.04.2026
BOTEQUIM
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