PATIFARIA

PATIFARIA
Estava, aqui, preparando para hospedar alguns espíritos quando um velho jaguar desencarnado chegou.
Com cara de brabo, mas com seu coração enorme foi logo dizendo: esta patifaria tem que acabar.
Eu até levei um susto, porque eu estava entretido com a reforma da hospedaria.
Ali começou uma saraivada de palavras, mas não de ofensas, e sim de insatisfação em ver o que se tornou um caminho de luz.
Aproveitando minha mediunidade ele desafogou seu coração. Era um grande instrutor do amanhecer. Eu gostava de ouvir suas palestras porque suas palavras tinham conhecimento e controle do ambiente.
Enquanto eu trabalhava, ele falava. Foi um momento único receber a visita de um irmão.
Eu até lhe disse que ao passar em frente a sua casa no templo mãe eu olhava para ele sentado na porta e tinha medo. Sua cara não era de muitos amigos. Isso era meu ponto de vista.
Agora eu estou à frente de minha missão esperando os retardatários. Não bem sentado, mas com minhas mangas arregaçadas para reagir diante da transformação que a terra passa e principalmente esta doutrina.
Sentamos um pouco. Seria falta de cortesia da minha parte em não dar atenção ao ilustre missionário.
Na minha casa tem uma “Caldeira” onde todos são tratados igualmente. Eu fico feliz quando vejo as raízes se expandindo pelo solo sagrado.
Nossas raízes estão morrendo. Estão sendo contaminadas debaixo dos nossos pés para chegar na árvore frondosa.
Eu ouvia o clamor deste adjunto que conviveu com a clarividente. Tia Neiva era amor. Koatay 108 é lei. A clarividência reportava os fenômenos além da terra.
Quando eu assumi o papel de trazer as forças para o sul do Brasil, eu não tive dúvidas. Abracei com muito respeito e consideração por ter sido escolhido como desbravador de uma região inóspita espiritualmente. Aqui tem muitos terreiros onde se pratica contatos com submundos. A doutrina da luz encontrou um breu dentro dos corações encarnados. Como foi difícil reverter está situação. As correntes se fecharam em cima de nossas cabeças. Até o dia que fui autorizado a implantar a torre de desintegração ao lado do templo. Houve uma explosão tão grande que a terra tremeu. A força magnética do ministro Apurê chicoteou a elipse.
Quem estava sentado fora do templo viu esta revelação.
Os efeitos de uma transição da escuridão para a luz.
Eu ainda estava conversando com este adjunto que estava muito brabo com as diretrizes do amanhecer. Ele contava alguns enredos de sua trajetória para me ilustrar, porque com o tempo esquecemos os amigos. Alguém só vai lembrar tendo a sua lembrancinha.
Eu me levantei e continuei minha obra. Estes espíritos estão sedentos pelo conhecimento científico espiritual. É a nova era despertando em suas mentes.
Ao nascer do sol tudo foi se apagando. A terra está transitando pela nova roupagem da natureza. A cada estação ela muda o ciclo de nossa existência.
Temos quatro meses para nos preparar e nos habituar com novas forças. O conhecimento é bom, mas é como uma arma em mãos erradas.
Multipliquem a esperança em cada movimento cristão para serem coroados. Jesus recebeu a sua coroa. Foi coroado como rei, mesmo sendo martirizado pelos demais.
Lembrem-se sempre do divino mestre que curava sem nada pedir ou exigir em troca.
O adjunto foi embora e eu me sentei diante da minha porta. Agora era eu a observar a terra do jaguar.
Ainda escuto a palavra patifaria. Aquele receio que eu tinha acabou.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
04.03.2026

Vale dos Deuses 1985