CIGANOS DO MAR
Eu até diria que foi preocupante está chegada.
De repente uma enorme família chegou aqui na minha morada. Muitas crianças, muitas coisas amarradas com cordas e um barco não muito grande, mas que acomodava todos.
Vieram trazidos pela força de seus destinos. Eu não tive reação porque foi algo tão inusitado que pegou todos de calça curta.
As crianças já foram brincar, os homens comemorando, as mulheres já trabalhando.
Minha casa que digo é o meu coração. Sempre tem espaço para mais um.
Na terra, o sol esconde a lua das noites sem luar.
Eram ciganos nômades. Um povo que saiu de suas origens e adentrou o mundo paralelo em busca dos que se distanciaram.
Eu comecei a ficar sem espaço. Este povo não dormia, não tinha descanso.
Minha grande casa de casal agora ficou reduzida a pouco espaço.
Em muitas ocasiões nós perdemos vínculos familiares que se partiram no decorrer das reencarnações. Uns estão na terra com suas lembranças apagadas, outros no céu tentando restabelecer contato.
O que nos resta desta melodia cantadas a mil vozes. O princípio desta cruzada é restabelecer a cultura familiar.
Nada mudará se nós não mudarmos a nós mesmos.
Eu vou compreendendo um pouco mais destes desafios humanitários e espirituais. Quem somos nós nesta rede de intrigas e amizades.
Enquanto eles estavam aqui no meu etérico, eu somente observava as reações de suas culturas. Cantavam o mar de suas aventuras.
Muitos foram hipnotizados pelo canto das sereias. Estes ficaram presos nas redes do destino.
O mar estava calmo como um papel ondulado. Tranquilo, sem ondas altas. Não era hora de navegar porque o vento parou de soprar. Calmaria no mar e agitação na terra.
Os espíritos encarnados não suportam esta tranquilidade. Querem agitação, querem emoção e novas aventuras.
A terra sempre foi palco dos artistas, como foi um porto de entrada e saída da felicidade e tristezas.
Um espírito jamais para de caminhar. Ele não está morto ou amarrado em suas pernas. A prova está nas muitas reencarnações que tivemos. Mesmo não tendo consciência delas, nós viemos soprados pela Aruanda.
Eu respeitei com muito amor esta passagem. Não mexam com quem está quieto.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
15.02.2026