CONVERSA FRANCA

CONVERSA FRANCA
Fui procurado esta noite por um adjunto que nesta vida foi roqueiro. Agora desencarnado veio contar a sua história. Não vou abrir seu nome porque muitos não vão compreender e passam a julgar acertos como erros.
M. L. F. Foi meu compadre e tivemos uma correspondência amigável. O respeito entre ambos foi um ponto essencial para nossa amizade. Sem respeito, as pessoas se afastam e seus castelos desmoronam.
Este reencontro foi no plano etérico. Sentados, revivemos a presença das missões e dos muitos jaguares que cruzaram nosso caminho.
Ele disse que ser roqueiro foi uma opção de vida com seus filhos. Tudo mudou quando foi chamado a compor está doutrina, mas sua mente jamais esqueceu da sua preferência.
Foi como unir dois mundos diferentes, um da música e outro da fé. Ao conhecer a médium Neiva, ele viu nela uma seguidora dos artistas contemplando as tradições dos cantores. Ela gostava de música.
Só que em determinados momentos ela teve que se afastar deste caminho para se dedicar 24 horas no desenvolvimento dos médiuns positivos e negativos.
Foi muita conversa. Não foi nada em vão, nada foi jogado fora.
A maior alegria é ter com quem conversar na terra. É matar a saudade do mundo que deixou. Pegar sua guitarra e outros instrumentos e sair pelos vales levando sua mensagem. Só que suas músicas são outras. São Louvores doutrinários.
Meu Pai!
Dá-nos sabedoria para não cair do padrão evolutivo. Saber diferenciar os planos dos espíritos. Criar nosso organograma com as verdades ditas pelos espíritos de luz. Saber diferenciar a verdade da falsidade.
Eu procuro ser fiel aos preceitos desta corporação. Às vezes temos alguns pensamentos alheios à nossa missão, mas eles são tratados como evolutivos porque fazem parte das nossas juras transcendentais.
Não é errado pensar negativo, errado é conviver negativamente. Os seres humanos são humanos e não santinhos. Enquanto tiver um corpo físico estão sujeitos a tudo que a terra lhes proporciona.
Viver por viver todos vivem e com muito orgulho. Claro que tem gente que não aceita o que pediu a Deus, mas o criador sabe que foi da boca pra fora.
Esta luta interna desequilibra o sensorial cognitivo.
Nós, médiuns, temos que abrir mais espaço no coração. Não é aceitar tudo, mas saber peneirar e descartar o errado.
Aliás, a grande peneira está sacudindo a terra. Só não acredita quem não quer ver.
Ou você é bom, ou você é mau.
Não haverá mais meio termo porque o muro ficou muito alto para pular.
Este meu amigo despertou seu espírito quando desencarnou. Na terra nós somos atores e no espiritual autores. Se nossa consciência não evoluir, o nosso padrão regride.
A eterna balança que rege nossa caminhada.
Guardem suas línguas dentro da caixinha. Seus pensamentos são ouvidos. Suas atitudes observadas.
Sorrimos pelas lembranças. Sorrimos pela gratidão que nos uniu. Não somos feitos de pedra, mas de barro que pode ser moldado conforme nossa inteligência vai se desenvolvendo.
Cultura do jaguar.
Chegou o momento da despedida. Cada qual voltou às suas origens.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
23.01.2026

Vale dos Deuses 1985