ESTRANHOS
Como vou explicar as movimentações no etérico plano.
Era noite nesta cidade do homem vivo, porém seres estranhos estavam perambulando pelas ruas. Com mais de dois metros de altura, magros, com uma cabeça desproporcional vestidos com algo inexplicável andavam de um lado para outro. Pelo que vi não eram mais, eram vagantes de um mundo abstrato.
Eu tive curiosidade e acompanhei um deles sem me ver. Atrás eu observava o ritmo surreal, era um morto vivo, pelo menos eu acho, porque como espectro não dava sinal em sua pulsação.
Não tinha coração. Não sentia dor e nem alegria, não tinha sentimentos algum.
Eu vi somente como se estivesse vigiando as noites escuras. A pouca claridade estampada nos relâmpagos que estremecia o chão fazendo ecoar nos prédios a chegada dos trovões.
Barulho infernal. Meus ouvidos não estavam aguentando e nem preparados para este impacto. Fechei-os com minhas mãos e continuei caminhando.
O tempo neste mundo não passa. Não tem relógio ou ampulheta que conte sua história. Nossos relógios biológicos registram nossa caminhada, mas o relógio espiritual é quem determina quem comanda as reencarnações.
Todos olham para ele nas paredes, nos pulsos ou no bolso. O relógio espiritual tem uma contagem regressiva. Diria que ele começa com maior idade e vai regredindo até o desencarne. É o oposto da contagem terrena.
A idade mais significativa é a dos 33 anos. É um encontro de duas datas primordiais para os encarnados.
Este período tem sete anos para frente e para trás. Seria 7 antes dos 33 e 7 após os 33. É um período obscuro na vida.
Obscuro porque ninguém sabe o que vai acontecer.
O resultado desta conjunção planetária está mexendo com os planos inferiores. A força magnética do realinhamento dos planetas modifica os 7 planos dimensionais. É como um ímã gigante, a metade de um lado e a outra do outro lado.
Está interferindo até nas marés. A camada vegetal ainda ajuda a manter o equilíbrio da terra. Os ventos cada vez mais fortes varrem os destinos mentais. Os pensamentos estão cada vez mais presos às construções materiais, esquecendo que somos figuras transitórias.
Foi isso que recebi deste ser estranho. Ele não falava, só transmitia pela sua vibração.
É como um médium que recebe uma energia sem saber de onde vem, só recebe.
Sua aura capta ao seu redor. Tudo que estiver na sua mentalização ele forma no seu mundo.
De repente ele estava na minha frente. Foi um susto que estremeci na cama. Olhei para seu rosto sem rosto. Foi ali que fechei minha individualidade.
Voltei. Meu Deus!
O que está acontecendo neste limiar da nova era.
Lembrei do mantra onde diz sobre viver com seres de outras dimensões. Seria isso?
Seres de outra dimensão convivendo com os encarnados!
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
09.01.2026