CHÃO DE BARRO

CHÃO DE BARRO
De 1530 para cá, o Brasil vem passando por uma grande transformação.
Esta noite eu fiz uma regressão no tempo. Nós já vivemos a colonização de várias terras e esta não seria diferente. 1700 eu estava aqui perdido na revolução do homem encarnado.
O que marcou nesta viagem foi um povo que viveu em um local conhecido como terra batida. Eram colonizadores que viviam sobre o barro.
Eu cheguei neste aspecto singular, mas eu queria mudar dando novas ideias àquele povo. Como foi difícil ensinar. Não tinham habilidade para mudar seus caminhos.
Foi, então, que eu fui atrás do material necessário para ser usado para cobrir a lama.
Tudo estava escondido no fundo da terra. Exemplo, retirar o saibro era preciso retirar a camada vegetal. Para eles não interessava.
Meu Deus!
Ao percorrer vários sítios e fazendas era a mesma coisa, falta de interesse.
Não eram idealistas, eram somente figuras do momento.
Eu queria ajudar, expandir, movimentar a velha engrenagem. Como construtor em vários períodos da minha história, eu não aceitava viver assim.
Só por Deus. Naquele barraco havia um homem muito humilde. Era um rezador, um benzedor que limpava as feridas dos romeiros do tempo. Ele, com poucos dentes, me viu e pensando eu ser um santo baixou sua cabeça.
_ Homem! Olhe pra mim! Não sou santo!
Com muita vergonha ele ergueu seus olhos.
Não consegui ficar com o barro nos pés.
Eu tinha que dar um jeito. Ao passar por uma fazenda observei que ela era diferente. Tinha brilho no terreno. Eu fui e pedi licença. Como ninguém respondia entrei. Ao ir para trás, uma mulher estava saboreando um prato de comida. Sentada rusticamente levou um susto. Chamou seu senhor que estava me espreitando.
_ Aonde vocês arranjaram este material do chão?
A brutalidade daquele tempo era consequência das ocupações dos imigrantes. Eram colonizadores que vieram explorar novas terras, novos mundos.
Nada! Nem uma conversa amigável.
Há, como é difícil mudar conceitos sem que queiram mudar. Eu retornei pela janela temporal. Eram imagens percorrendo minha mente. 500 anos em poucos segundos.
Esta vida espiritual é muito loca. Chega a dar um nó na espinha.
A única coisa boa é a versátilidade do espírito.
Assim como os espíritos evoluídos regridem do tempo futuro para o passado, eles têm dificuldades de mudar o destino.
São marcas gravadas nas paredes da evolução. Porém, hoje, eles ajudam de forma a mudar do presente para o futuro. Com habilidade dos engenheiros do espaço estão construindo uma nova vida.
Vocês já observaram a transformação da terra em que vivem?
Observem!
A cada ciclo há uma revelação especial. Vamos dizer, de Atlântida para cá. Como eram os deuses que idolatravam.
Foram muitos deuses. Hoje só temos um que está sendo cultuado de forma inspiradora.
Minhas palavras não são minhas.
A necessidade dos trabalhadores desta última hora trouxe resultados significativos para a ciência. Um cientista não nasceu com conhecimento, ele estudou muito para se qualificar. Foram escolhidos pela voz interior. “Eu sou, eu posso, eu quero”.
Como muitos dizem: a mesa está posta e farta de conhecimento. Porém poucos podem se sentar. Poucos serão escolhidos. Poucos têm coragem de mudar seus caminhos.
Esta é a velha estrada do egoísmo humano. Naquela fazenda o morador descobriu um veio de cascalho, mas não dividia com mais ninguém. Entenderam o sistema!
Por mais que tentemos mudar ou retirar as terras dos corações, nós somos impedidos pelo livre arbítrio. Só muda aquele que tem consciência evolutiva.
É, como é difícil e ao mesmo tempo fácil. Basta querer.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
03.12.2026

Vale dos Deuses 1985