ANJO CAÍDO

ANJO CAÍDO
Quando nos referimos ao solo sagrado é porque ali tem algo especial, algo fora da natureza humana.
Eu fui convidado e como convidado não sabemos o destino da viagem. Chegamos em um ponto específico onde havia várias urnas enterradas sob as areias do deserto. Estavam escavando. Eram arqueólogos em busca das revelações deixadas para trás.
Eram como túmulos construídos em metal nobre. Não dava para distinguir ainda, mas eram protegidos por selos que lacravam a tampa. Foi Deus quem lacrou.
_ Mestre! Olhe para dentro!
Eu tive dúvidas, porque havia uma barreira fechando o conteúdo.
_ Olhe para dentro!
Firmei minha vista e a tampa foi ficando invisível, transparente. Havia algo dentro que jamais poderia sair. Eu vi como uma massa vibrando.
_ Este é um dos anjos caídos! Seu poder é imensurável! Se ele sair dali, vai destruir a terra! Deus o prendeu por sua desobediência!
Eu ainda não estava entendendo direito. Fui pego no laço para esta missão.
Aquilo não tinha forma humana. Era somente uma massa cinza escura. Mesmo estando preso, não sei quanto tempo ele ainda está vivo.
Estão chegando perto deste cemitério ou sei lá como chamam. Cemitério de Eufrásio.
Foi o nome que veio à mente. Aí veio mais dúvidas.
Se era bom, tinha o dom de Deus, porque hoje é um prisioneiro?
Os anjos tiveram seus momentos de fraqueza. Se ergueram em organizações para derrubar quem lhes concedeu a vida. Foi uma traição tão grande que até hoje, não temos datas corretas, eles estão pagando suas desobediências.
Teve um que está escondido em local de difícil acesso. Tem uma legião de soldados que têm acesso a crosta por intermédio das mediunidades. São pontes de ligação, transferência de energia do físico para eles.
Enquanto observava a escavação, eu recebia esclarecimento da verdade.
Inexplicável ver sob as areias o que se esconde da curiosidade humana.
Se Deus lacrou estas urnas é para permanecer assim. O homem tem que ir lá e quebrar o selo.
Neste deserto não havia nada por perto. Nem eu sei sua localização. Não posso afirmar que esteja em algum continente.
Como convidado eu segui uma rota e não um caminho.
“Se abrirem as urnas não sei o que pode acontecer”.
Vamos dizer assim: “Deuses do Olimpo”. Algo muito sério aconteceu na história que não foi contada e nem catalogada.
Quem em sã consciência iria buscar os registros históricos de civilizações que eram muito evoluídas e agora só restam as catacumbas. A terra é como um grande cemitério onde muitas civilizações construíram seus impérios e o que restou!
Muitos nem são lembrados mais. São partes do esquecimento.
Quanto mais eu me aprofundo, mais medo de ver na atualidade os acontecimentos que ficaram no silêncio espiritual.
Eu digo que somos cobaias da evolução. Somos testados em tudo. Não tem noite ou dia que não tenhamos que enfrentar as feras dos nossos desejos.
Terminando esta revelação eu virei minhas costas para o sul. O sol se levantava no leste. Até o espírito sente a força do sol. É como se alimentar pelos raios solares.
Espiritualmente arde no perispírito porque não temos a proteção do corpo físico. Transporte ou desdobramento. São duas fases distintas da mediunidade.
Porém são sete chaves que a mediunidade se completa. Cada uma delas podem ser diferentes no ser humano. Agora, tia Neiva tinha todas, menos a do olfato.
Olfato é a distinção do cheiro das flores como o odor da morte. Nós carregamos nossos cheiros. Se estamos positivos cheiramos bem, se estamos negativos cheiramos mal.
Voltamos. Estou em casa. Despedi do mentor, ih, esqueci de perguntar seu nome.
Estou ficando velho nesta longa estrada da vida. Quanto mais velho mais sábios ficamos.
Só uma coisa, não enfiem a mão na casa de maribondo porque a picada será certeira. Digo isso em referência ao nosso coração. O respeito é bom.
Assim terminou a viagem e assim recomeça o dia.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
02.01.2026

Vale dos Deuses 1985