CARTOMANTE
Desde já eu falo, não tenho nada a ver com o que fazem de suas vidas.
Eu fui conhecer uma cartomante, dona X, e ao chegar no seu mundo eu era mais um naquele lugar. Havia muita movimentação de espíritos de diversas condições.
Enquanto a mulher atendia seus clientes cortando seu baralho cigano os espíritos ficavam zanzando na sala. Não havia luz, era lusco-fusco misturado ao perfume. Quando eu entrei não havia dificuldade alguma, a porta estava aberta, entrava quem quisesse entrar.
Eu cruzei por muitos espíritos que eu desconhecia. Homens e mulheres, todos com muito charme. Eram os guias que faziam as obrigações.
“Trago seu amor em 7 dias”. Ou qualquer tipo de amarração de negócios, de desavenças pessoais ou sei lá.
Cruzei com uma PG com seu cigarrete entre os dedos fazendo charme, um Exu não tirava seus olhos de mim. Apesar de haver indiferenças neste povo, eles conviviam juntos, porém eles não se misturavam.
Muitas linhas. Os ciganos estavam acampados naquele lugar. Era uma sala entre quatro paredes, mas no invisível plano era muito maior olhando pelos olhos do espírito. Era um mundo sem luz, pois ali se negociavam desejos.
A madame X não me via, ela não era vidente, somente pedia aos seus guias que cumprissem suas ordens. Por mais espíritos ali dentro, o silêncio era ensurdecedor. Ninguém se comunicava. Era um tipo de focalização vibracional. Da cartomante saía uns filetes de sua mente que eram percebidos pelas entidades. Cada um que recebia um comando se ligava ao pedido.
Não sei descrever esta interferência.
Enquanto isso, aquele baralho estava cortado sobre a mesa coberta por um pano de mandala.
Prestei muita atenção nos efeitos de um trabalho sendo montado. Estes espíritos estão escravizados ou a mulher é escrava deles.
De repente entra um homem que tem problemas com sua empresa. Senta-se e o jogo começa. As adivinhações são anunciadas pelo pedido do industrial.
Eu não fiquei muito tempo neste mundo. Eu fui conhecer, somente conhecer.
Muitas pessoas na terra gostam de viver entre a cruz e a espada. Gostam da magia, gostam de coisas secretas, gostam do desconhecido. Geralmente são pessoas que se dedicam a contemplar os espíritos, mesmo não conhecendo suas origens. Existem tantas coisas entre o céu e a terra que nós não imaginamos.
Eu trabalho dentro da minha linha doutrinária. Sou um estudioso das faculdades mentais. Eu não fecho, eu amplio. Ser um médium ativo, atuante ou ser somente como um paradoxo: estar presente ausente.
Nossa mãe clarividente deixou a mesa farta para não morrer seus ensinamentos cabalísticos. É a mesma história do fazendeiro que teve três filhos. Com viagem marcada ele deu a cada um três moedas de ouro. Um enterrou, outro gastou e outro investiu. Chegando de volta, o fazendeiro cobrou dos filhos o que eles fizeram com as moedas. Ali ele viu quem poderia assumir a evolução material da fazenda. Assim também será o dia da prestação de contas com os médiuns deste amanhecer. O que fizeram com o conhecimento doutrinário.
Sentaram em cima, rasgaram as páginas ou ilustraram com mais sabedoria.
A evolução, meus irmãos, é para todos. Não podemos ser como parasitas esperando culpar quem quer caminhar. Tia Neiva deixou sua vida confiando em nós. Graças a Deus eu estou acompanhando de perto a tradução das encarnações. A cada encarnação o espírito vem fechado no seu invólucro. É a lei mais perfeita e inquebrável. Só com o tempo poderemos saber a verdade.
Eu tive que voltar. Nao era o meu lugar. Sou médium que aprendo com meu espírito. Se cada médium, em cada linha, tivesse o dom de ver a verdade, não perdia tempo.
Eu confio muito nos médiuns que detém o conhecimento de tudo que é bom nos liberta do mal. Sabá.
Ser médium sem conhecer a verdade é ser somente instrumento dos desejos dos encarnados e desencarnados.
Que a verdade se levante como a do sol de todas as manhãs.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
30.12.2025