MEU REINO
Como disse Jesus: “O meu Reino não é deste mundo”.
E eu digo que o meu reino ficou esquecido nas lembranças do espírito. Muitas coroas, muitas cortes, e o que vivi nesta viagem foi uma cobrança tão grande que chegou a me decepcionar. Voltamos para França, Luiz XV, e toda aquela gente que eu ajudei agora vieram me cobrar. Eram da corte, eram escolhidos a dedo pelas suas condições.
Ao voltar a recepção não foi das boas. Eram inimigos declarados sem motivo algum porque tinham tudo para se realizarem, porém os espíritos ficaram presos em suas fantasias.
Eu recebi uma carga tão pesada que atingiu meu espírito, mas não a matéria de hoje. Atordoado pela incompreensão e vendo a transformação da amizade em inimizade eu chorei. Ao gritar ao mundo espiritual uma médica veio me ajudar. Ela está encarnada hoje em outra profissão, mas era médica da corte.
Com sua maleta de couro tirou os instrumentos e começou a me tratar. Os remédios eram ervas maceradas diluídos em água. Tirou um fraquinho com algo que parecia um óleo e diluiu para eu beber. Era um calmante natural que relaxou minha mente.
Eu via os velhos contemporâneos reunidos vibrando. Muitos daqueles estão reencarnados e passaram por este amanhecer. Talvez eu não tivesse o conhecimento que hoje tenho para realizar seus sonhos nos grandes salões do castelo. Foram embora, sim, receberam o que vieram buscar e partiram deixando suas marcas neste solo sagrado.
“Quem beber da água que eu lhe der jamais terá sede eternamente”. A água da vida corre bem ali na fonte da juventude. Esta água recebe os mantras divinos que Yara nos prometeu. A mais de 30 anos nós bebemos desta fonte natural cor prata.
Esta viagem marcou muito quem é quem. Minha corte agora é outra. Estou ampliando meu universo para receber o eldorado mundo verde. Cavaleiros da luz na força dos capuchinhos. Eu estou construindo com minhas mãos uma visão etérica que me foi permitida trazer de volta. Sonhos de um sonhador missionário da cultura ancestral. No amanhecer tudo reflete na ancestralidade de vidas passadas. Como foi nos velhos mundos, só que com outra roupagem. O amanhecer, um novo amanhecer, será a nova era. Não seremos os mesmos porque tudo na terra se evolui. Como disse Jesus: “assim na terra como no céu”. E eu digo mais: assim no céu como na terra.
As imagens geradas no perispirito são o princípio das transformações. Grandes avanços tecnológicos abrirão a caixa preta, a caixa de pandora. Os males revelados serão como justiça aos injustiçados.
Aquela corte que me cortejava agora são as pedras do meu caminho. Vieram me cobrar por ter partido sem repartir o pão.
Nossas vidas é o reflexo de nossas ações. Se praticarmos o bem teremos o bem.
Eu me revesti do velho império para ser reencontrado. Não posso esconder a minha missão. Quem não é visto não é lembrado. Foi por isso que Seta Branca deu início a fase mais importante neste mundo. Trazer a tona os velhos contemporâneos que hoje são jaguares do amanhecer. Aqui haveria o reencontro dos impérios decaídos para reestruturação da vida.
A tirania dando lugar ao amor incondicional. Muitos ainda não entenderam porque fazem parte desta tribo, desta corte. A conciliação dos inimigos para frear as incompreensões.
Eu sentei no meu trono e logo a música começou a tocar. Lindos casais começaram a rodar envolvidos pelo som. Esqueceram da cobrança e se admiravam com tamanha satisfação. Era o que faltava para esclarecer a corte.
Eu fui tratado pela minha médica que hoje é uma de minhas netas.
Nossas reencarnações são o que pedimos a Deus. Não podemos exigir mais do que pedimos. Se pedirmos muito não teremos como pegar. Por isso os trabalhos de caridade no amanhecer. É para termos merecimento e pagar pelas incompreensões que causamos. Somente a caridade nos salvará de nós mesmos.
Assim o baile continuou com minha presença.
Voltei. Deixei tudo e todos se divertindo e reassumi meu sacerdócio. Estou em casa, mas lembrando de todas as fisionomias que marcaram minha missão.
Salve Deus!
Adjunto Apurê
An/Un
09.08.2025
